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"De-escalation" e coisas que ativistas devem saber


Ohayou, minna!

A frase "tem cuidado com o que desejas" costuma ser associada a coisas negativas, mas desta vez aconteceu-me algo bastante positivo: eu queria ter férias, e tive. Porquê? Porque a empresa onde eu vou trabalhar precisava de um documento que ainda não pude levantar, pois é levantado na minha faculdade e ela esteve este tempo fechada para férias. Então tenho estado em casa, a jogar Skyrim e adiantar outros pequenos objetivos. Não que eu possa chamar o novo "Draw this again" que estou a fazer de pequeno, mas still. 

Este post é o resultado de uma coisa que tenho andado a tentar recentemente, com sucesso variado: De-escalation. Consiste basicamente em acalmar uma situação ou discussão, e isso passa por me acalmar a mim. É difícil pois obriga a pessoa que inicia essa tática a aperceber-se do que se está a passar, por de parte o que está a sentir por muito válido que seja e tentar abordar as outras pessoas envolvidas de forma firma, mas pacífica, pouco ameaçadora e demonstrando estar disposta a ouvir e entender o que ela tem a dizer. De facto, isto é muito sobre saber ouvir e, caso seja seguro suficiente discordar, fazê-lo da forma mais agradável possível. E é engraçado porque eu sinto que fazia isto quase inconscientemente quando era criança mas, nos últimos anos, tenho visto coisas que me têm provocado tanta raiva, sensação de injustiça, e me magoam ou magoam outras pessoas, que a minha paciência encurtou drasticamente. Mas isso só resulta em que eu nunca consiga transmitir o meu ponto - porque as pessoas recusam-se a ouvir vozes exaltadas - e às vezes acabo por magoar pessoas que só me querem bem e arrependo-me disso. Então não só esta tática é muito importante para ativistas em geral, como pode ser útil no dia a dia, e decidi partilhar um bocado sobre o assunto. Começando por disclaimers extremamente importantes...

O que é ter personagens femininas fortes?


Ohayou, minna!

Já estava para fazer este post há algum tempo. Foi adiado constantemente dada a complexidade do seu conteúdo, afinal, isto é fruto de horas de pesquisa e de opiniões confrontadas, e é difícil fazer um texto organizado mas que ao mesmo tempo transpareça todas as nuances da questão do título. Afinal, o que são personagens femininas fortes? Toda a gente parece ter um entendimento diferente, desde personagens com um nível de força e resistência física próximo do de homens - pelo menos no caso de superheróis, onde "poderes" são uma boa forma de contornar barreiras biológicas; personagens confiantes e "empoderadas", o que algumas pessoas imaginam como mulheres que exalam sexualidade e outras encaram como mulheres que não se apresentam de forma apelativa a homens-hétero; personagens que conciliam os ideias femininos como bondade com ideias masculinos como o da vitória e da força; personagens que fazem grandes sacrifícios e demonstram não força física, mas força mental admirável; ou simplesmente mulheres humanizadas e com um papel relevante na história apresentada.

Na verdade, este post não pretende fornecer uma definição do que é uma personagem feminina forte, pois eu não acredito que hajam mulheres mais fortes que outras - e isso não se aplica só a mulheres obviamente. "Mulheres fortes" não passa de uma buzzword, de um conceito que se tornou popular por parecer que é uma forma de respeitar mulheres mas, no fundo, que só serve para as comparar, avaliar e categorizar, e a nossa sociedade já faz julgamentos que chegue na vida real para ter de transpor isso para as questões da representatividade. O meu ponto é que não quero alimentar a narrativa de que há uma forma correta de representar mulheres pois, como qualquer grupo, esse é muito diversificado e é um erro achar que há modelos de personagens femininas capazes de espelhar um grupo inteiro. Assim, eu ofereço uma alternativa: ter mais mulheres. Representatividade não é uma questão de qualidade. Representatividade é uma questão de diversidade. E que melhor maneira há de captar diversidade a não ser através da representação de muitas pessoas distintas

Claro que o post não conseguirá cobrir o assunto por completo, mas preparem-se para um masterpost. E para um overview das críticas mais comuns. Updates sobre mim no fim do post...

{resenha} Pantera negra


Como de costume, em vez de ao domingo postar na coluna diária "Recomendações do dia", faço um post especial. Desta vez, o que trago é a resenha do filme Pantera Negra, que já vi há imenso tempo mas ainda é o melhor filme da Marvel que eu vi, o melhor filme que vi desde que estreou no cinema, e provavelmente está no meu top 10 de filmes com pessoas reais favoritos. E como eu fui ver em grande parte para dar suporte à comunidade negra - afinal, quanto mais gente for ver filmes com minorias sociais, menos desculpas tem Hollywood para dizer que "minorias não vendem" - posso dizer que rebentou a escala das minhas expectativas.

Já agora, se alguém tiver caído aqui e recear que eu seja só mais uma pessoa branca a fazer uma análise superficial, fear not - eu sou de facto uma pessoa branca e certamente as minhas experiências influenciaram a maneira como eu vivi o filme, mas eu tenho o cuidado de me informar sobre a opinião das pessoas representadas em qualquer tipo de mídia e, neste caso, eu irei até recomendar aquelas de que mais gostei.

Zero waste: guia inclusivo


Prometido é devido, e aqui está o meu guia gigantesco zero waste (zero desperdício) inclusivo.

Se há alguma coisa que deve ficar clara aqui, é que as fábricas são as maiores responsáveis pela poluição do planeta, e o post não se destina a culpar indivíduos por não conseguirem salvar o planeta sozinhos nem por ficar frustrados com tentativas falhadas. Contudo, pretendo encorajar toda a gente a considerar o impacto que as suas ações podem ter, principalmente se toda a gente for gradualmente aderindo às políticas dos [5 R's]: Reduzir, Repensar, Reaproveitar, Reciclar e Recusar. Uma pessoa sozinha pode poupar até que chegue para todo o lixo que produz no ano caber num frasco, enquanto que em média uma pessoa em Portugal produz 460 quilos de lixo no mesmo espaço de tempo.Tal como muitos blogs zero waste afirmam, "Não é uma questão de atingir a perfeição; É uma questão de fazer escolhas melhores"

Mas... e quem não pode escolher? Nem toda a gente pode abdicar das palhinhas de plástico, como eu disse [aqui]. Nem todas as alternativas que os grandes blogs* zero waste sugerem funcionam para toda a gente. Para fazer este post, eu escolhi algumas questões relevantes para aderir a uma política zero waste e enumerei tantas alternativas quantas consegui encontrar, com o único objetivo de dar a conhecer um número mais vasto de opções e de incentivar as pessoas a adotar medidas dentro das suas possibilidades - não com o objetivo de policiar ou envergonhar as atitudes de ninguém. Salvo pessoas que estejam totalmente dependentes de outras, toda a gente pode controlar minimamente as suas ações, daí eu querer neste post sugerir coisas acessíveis que muita gente não sabe que pode fazer. Como a minha mãe diz: "Quem faz o que pode, a mais não é obrigado."

*diga-se de passagem que estes tendem a ser geridos por mulheres com tempo e dinheiro para mudar os utensílios que usam, correr montes de lojas à procura das melhores e fazer DIY de tudo e mais alguma coisa, desde comida a produtos de limpeza e higiene

Problematizando a problematização


Toda a gente neste cantinho sabe que eu sou uma das pessoas mais problematizadoras da blogosfera, certo? Pelo menos eu sinto-me em parte responsável por ter ajudado a pegar moda essas análises sobre representatividade. Agora, o que eu acho que ninguém sabe, é que dá para problematizar a problematização em si, e cada vez mais eu o tenho feito, pois descobri que muita gente problematizadora faz uma bola de neve com os seus argumentos e acaba por considerar tudo proibido, sexualizado, romantizado... mesmo quando claramente isso não se verifica. Moral da história: problematizar é bom, mas também importa saber discernir limites. Para isso, eu irei falar de alguns dos tópicos mais comuns de representatividade (ships lgbt+, personagens femininas, poc e assuntos gerais), e fazer uma lista de críticas legítimas e ilegítimas, e dizer porquê. Irei inicializar tudo com um glossário, que basicamente contextualiza quem são as variantes de radfems e quais os seus argumentos comuns - mas quem quiser pode pular essa parte.

O post que me levou a começar a aprofundar este assunto foi [este bebé], pois basicamente mencionava várias das coisas que já ando a notar há alguns meses sobre como feministas Radicais tentam excluir e vilanizar toda a gente que não consideram aceitável, propagando isso através dos fandoms.

Apropriação cultural, porque já estava na altura de eu falar disto


Ohayou ^^

Primeiro, uma notinha: eu tinha começado a responder aos comentários do [post sobre aborto], mas por algum motivo, depois de enviar o comentário, não aparece nada. Então mesmo que eu não vos tenha respondido, fiquem sabendo que li tudinho, como sempre, e que fiquei orgulhosa de terem entendido os meus argumentos e de acharem a minha retórica tão boa :3

Parece que eu não me canso de trazer assuntos polémicos, e hoje trago um tema igualmente duro de entrar na cabeça das pessoas: Apropriação cultural. Basicamente vou demonstrar que existe, que tem um impacto negativo, quais os critérios para averiguar a sua presença e como é que se pode parar de fazer esta asneira substituindo o problema por apreciação cultural. Como eu sou branca e, ainda para mais, de uma cultura ocidental e maioritária, não podia falar disto sem ter por base muitos links maravilhosos escritos por experts no assunto. Então, se scrollarem até ao final do post, vão ver a lista completa de artigos que me permitiram escrever isto sem dizer grande asneira.

Ainda há bastante racismo em Portugal


{nota: afiliados, querem fazer o favor de trocar o link do Forever Sapo pelo do caixa de Surpresas?}
{agradeço a quem seguir o blog: cliquem na imagem do gadget "sapinhos"}
Ohayou, minna!

Comecei a escrever este post há quase um mês, mas demorei a concluí-lo pois pelo meio finalizei o jogo DAI, e porque decidi que deveria pesquisar mais a fundo sobre o tópico antes de poder postar isto. Escrevi-o com um certo sentido de ironia já que, como vários de vocês se devem lembrar, fiz (há um ano exato!) [este post] onde eu falava de várias questões raciais globais e genéricas, mas dizendo que agora isso já não era o problema predominante e que, hoje em dia, o problema era mais o whitewashing e colorblindness, versões mais "subtis" de racismo. Também denotei, nesse post, a perspetiva de quem nunca o tinha vivenciado nem em primeira nem em terceira pessoa, e que não o considerava um problema muito marcante em Portugal. Agora, escrevo isto sob um olhar diferente - não é que essa versão subtil do racismo não seja, até, uma das mais predominantes, em Portugal especialmente. A questão é que eu estava iludida em considerá-la pouco frequente, em vê-la como um problema distante, e a minha escolha de palavras possivelmente transmitiu a ideia de que impactava menos que as macroagressões racistas ou que era a única que existia. Nada disso é verdade, e eu sabia, mas demorou-me vários meses até o conseguir "sentir" devidamente. E aqui quero abordar o racismo de uma perspetiva mais próxima e menos teórica.

O que me levou a escrever isto foi o artigo [Falar de etnias ainda é tabu em Portugal].