Questões pessoais
- » Trabalho: Eu comecei a trabalhar ao fim da primeira semana do mês passado, e a entrada até foi - ainda está a ser - bastante gradual. Tive uma semana inicial sem grande coisa para fazer, só familiarizar-me um bocado através de um mini-desafio com a linguagem que vou utilizar no projeto onde vou ser inseride (eu vou trabalhar numa empresa de informática de consultoria, o que quer dizer que uma pessoa está constantemente a iniciar projetos e desenvolver software para novos clientes). Entretanto, eu e um grande número de recém-licenciados começamos uma formação dada pela empresa onde estamos a aprender coisas novas ou reforçar outras que alguns de nós chegamos a mencionar na faculdade, e isso ajudou-me a sentir mais confiante nas minhas habilidades - sinto que a minha faculdade me preparou bem. As pessoas de lá também são fixes - incluindo os formadores - e, embora eu esteja um bocado anti-social pelas razões que vou dizer no post seguinte e por ainda não ter recuperado energia suficiente depois do meu burnout, consigo dizer que confio nelas.
- » Algum desespero: Eu tenho tido alguns momentos em que desanimo completamente e me sinto... esmagade. Limitade. Em parte, isso tem a ver com sentir que não há saída desta rotina de trabalho que mal paga a quantidade de horas que passo fora de casa a dedicar a empresas, mal me permite melhorar as condições em que vivo e sustentar a minha família. Mas o facto de ser uma pessoa não-binária piora tudo, especialmente quando agora que trabalho parece que tenho de lidar com burocracias todos os dias e isso me lembra de como legalmente sou mulher. E eu sinto que quanto mais me lembro disso, quanto mais me lembro que isso representa o que as outras pessoas vêm em mim, quantas mais mensagens de direita vejo contra a "ideologia de género" vejo, a cada negação do meu género a nível social por parte mesmo de quem não me quer magoar... vou perdendo a habilidade de conectar com as outras pessoas. E saber que grande parte da comunidade lgbt+, que sente que tem cada vez mais direitos e gente que a defende (destacaria a comunidade gay) quer ser apoiada por nós mas recusa-se sequer a querer saber dos nossos direitos... well, não ajuda muito a não ter inveja e querer mandar toda a gente ir para o caralho. Até porque uma pessoa que não existe - nem legalmente, nem socialmente - não pode ter nada a perder, certo? Ao menos eu tenho uma amiga fenomenal que respondeu com a maior dedicação que alguma vez vi a um desabafo enorme meu e disse coisas que ainda me fazem ter esperança na humanidade. É por pessoas como ela que eu sinto que vale a pena viver, sinceramente...
- » Amigos que vão para longe: Um dos meus melhores amigos vai agora para Londres para trabalhar lá. Eu acredito que ele vá ter sucesso e que não será infeliz, afinal, é daquelas pessoas que tem a sorte de ter já o caminho desbravado, pois o pai dele vive lá, vai com a irmã, já visitou o lugar imensas vezes e tem talento que chegue para ser cobiçado por um monte de empresas. Mas eu sei que não é algo que ele esteja a morrer de amores por fazer. Só o faz porque quer ajudar a sustentar a família, e também não está disposto a trabalhar tantas horas para receber a merda que pagam em Portugal, então está a aproveitar a sorte dele. Além disso, despedir-se das pessoas e das coisas que conhece - embora eu esteja confiante de que vamos continuar a falar bastante - não é fácil, e ele no fundo gostava era de seguir música. A única coisa que posso fazer é desejar que não fique preso à necessidade da ajudar a família como eu estou, e que surja uma oportunidade para ele fazer o que ama e viver disso.
Tenho acompanhado
- » Given: Neste momento, já vi o anime e li o mangá ;) É um anime yaoi que eu comecei por ver ocasionalmente no tumblr através de gifs que achei fofinhos, mas ainda não sabia que tinha mesmo a tag de yaoi, então imaginei que fosse só daqueles animes de bandas com bastante queerbaiting. Só entretanto é que os gifs, err... revelaram mais spoilers, como um momento em que o protagonista Uenoyama confronta a sua sexualidade, e isso impulsionou-me logo a ver. Btw, a arte do anime é muito bonitinha, mas a do mangá ainda consegue ser melhor - embora confesse que o anime conseguiu, ao alterar ligeiramente certas cenas, unir outras, e claro com a ajuda da trilha sonora, tornar tudo mais mágico. Então quando cheguei ao episódio do beijo, era impossível largar ;) É com pena minha que o último ep não teve grandes acontecimentos, só um começo épico de tão cómico que foi, e o que consta no mangá mas ainda não foi adaptado para anime - que vai, aliás, ser continuado através de um filme - é mais focado num outro casal. Em todo o caso, recomendo imenso. Quase tem vibes de yuri on ice, exceto que aqui as personagens têm problemas mundanos a confrontar. É fofo, engraçado, belo, e portanto tudo o que eu recomendaria para quem gosta de shoujo, com a diferença de que os casais são do mesmo género.
- » Comics de Dragon Age: Acho que já deixei claro que o meu vício em Dragon Age é grande de momento. Pois bem, desde que eu soube que as próximas comics iam contar com uma das minhas personagens favoritas do jogo 2, Fenris, ou [The Blue Wraith], decidi que era uma boa altura para ler as comics todas. E como estão bastante bem feitas, é algo que recomendo para qualquer pessoa que seja fã dos jogos ^^ É, aqueles jogos que eu já [resenhei]...
- » Hazy London: Uma webcomic sobre dois tipos de uma banda que começam a namorar e a partir daí acompanhamos os seus episódios e dos seus amigos, um grupo que vai crescendo. O engraçado é que, originalmente, os primeiros arcos eram uma bosta, mas a artista esteve a refazê-los e não só melhoraram drasticamente a nível visual, como ela corrigiu algumas cenas em que o romance estava muito precipitado ou beiravam um bocado o abuso. MAS mais importante que isso, os capítulos atuais estão a explorar algumas das personagens secundárias, e eu estou a gostar particularmente das perspetivas do Dany e da Kat. Also, agora foi introduzida uma personagem assexual, o que mostra o quanto a percepção da autora sobre o mundo cresceu e oi para além de "pessoas lgbt+ = gays e bis". Podem ver mais sobre o cast [aqui], e ler a partir desse site.
- » Akatsuki no Yona: O meu bebé está mesmo no top de mangás favoritos para continuar. Cada vez temos mais personagens femininas, a Yona domina melhor luta - e ela agora não luta só com arco e flecha, nã-nã! - já vimos um bom bocado sobre a guerra nos reinos de lá, o romance entre a Yona e o Hak avançou milénios desde o arco adaptado pelo anime e as relações com o Soo-won e o seu reino de Kouka estão cada vez mais tensas. Eu estou, err, a fazer o meu melhor para não dar spoilers, mas o último capítulo disponível, [180], terminou de uma maneira que me deixa com o coração nas mãos. Bem, é melhor calar-me por aqui, mas se não souberem muito sobre a obra, eu cheguei a resenhar quando o anime ainda era recente e eu postava no Forever Sapo, [aqui].
- » Gentleman Jack: É uma série de 8 episódios muito bem concebidos que adapta a vida de Anne Lister, uma mulher que realmente existiu, lésbica e capaz de enfrentar de queixo erguida as adversidades que lhe eram postas em 1832. O diário dela, escrito em código, foi leiloado e, a partir daí, surgiu a ideia para fazer a série. Eu AMEI as duas atrizes principais, a ambientação, o diálogo, os momentos em que a personagem quebrava a quarta parede... Também gosto do quão imperfeitas são as personagens, incluindo a protagonista que apesar de aparentar saber o que faz - e isso ser verdade na maioria das vezes - às vezes se deixa levar e cede a demonstrar a crueldade ou arrogância que adquiriu por tanto enfrentar ambas. Foi a minha irmã que recomendou, já que ela adora coisas históricas e também é grande fã de figuras como a Anne, e não me arrependo nadinha de ter visto. Ah, vai ter segunda temporada!
Outras recomendações
- » Sims 4 savefile: A minha pessoa é incapaz de jogar nos sims 4 enquanto continuar a ver as casas que vêm nos packs originais, de tão horrorosas que são. Há uma ou outra que se aproveita, sim, mas quase tudo desde os interiores ao meio envolvente e incluindo os próprios sims são asquerosos, e eu só tenho gosto a jogar algo que me agrade esteticamente. Então, eu tenho 2 savefiles meus que ainda estão em desenvolvimento em que eu estou a refazer todos os mundos - os sims eu crio conforme vá precisando - sendo que, num dos saves, cada mundo tem o seu próprio estilo dentro de coisas possíveis de encontrar no mundo real e, no outro, cada mundo representa um ambiente de fantasia: um mundo para elfos, outro para anões, fadas, bruxas, sereias... e eu adoro fazer builds, mas dificilmente demoro menos de 24 horas a concluir, e como sou uma pessoa ocupada, isso vai demorar até estar pronto. Logo, demoraria até eu jogar. MAS graças à maravilhosa simmer Plumbella, eu fiz download {deste save file} em que ela renovou todos os lots e sims e assim já tive vontade de jogar ^^ Então, esta recomendação fica para quem quer jogar sims e sofre do mesmo desgosto pelos lots originais que eu tenho. No vídeo explica como colocar.
- » She-ra: É o desenho animado mais gay que eu já vi na vida, que se sabe que tem representatividade lgbt+ antes mesmo de ela ser explicitamente mostrada e ao contrário da maioria dos desenhos, não é queerbaiting. Ah, digo desenho porque é ocidental, não é anime. É um reboot de um She-ra de vários anos atrás - o que obviamente foi recebido com homis a perguntar-se porquê que personagens de 16 anos ou menos agora já não parecem adultas sexys, completamente furiosos por ver um desenho para crianças feito com uma audiência de crianças em mente - e acompanha Adora, que foi criada num ambiente anti-princesa e preparada para as derrotar mas descobre que, por um lado, as princesas não são más e, por outro, que ela própria é uma. Tem algumas das minhas relações entre personagens favoritas de SEMPRE, e não sofre tanto do mal de quase todos os desenhos feitos por quem participou na criação de Avatar Aang, isto é, ritmo apressado. A arte parece saída do tumblr e o design das personagens também, e agora que vai para a quarta temporada, duas personagens vão ter um design novo que capta de forma espetacular o quanto mudaram, e o meu coração não aguenta jnfiow j9apd219p roqe !!!
- » Dragon Prince: Fantasia, dragões, um trio de protagonistas, elfos com caraterístcas que os tornam diferentes da maioria dos elfos, representatividade de muitos tipos - racial, lgbt+, uma das personagens mais populares até é surda e, tal como acontece com a Toph de Avatar, isso é uma caraterística que até serve para tornar algumas cenas particularmente especiais e mais badass! - adultos com muitas responsabilidades e arrependimentos... Só pela complexidade das personagens, eu já adoro, mas o ambiente de fantasia é, para mim e como sabem, a cereja no topo do bolo. Vai agora para a terceira temporada e portanto tinha de recomendar ;) Não desanimem com a animação com poucos frames da primeira temporada, ok?
- » Wheel of Time: É uma coleção de fantasia de 14 volumes, e nenhum deles é coisa pequena. Em parte por causa disso, o autor original, Robert Jordan, não conseguiu escrever todos os volumes e escolheu Brandon Sanderson - que, diga-se de passagem, também é um ótimo autor - para acabar o trabalho dele, obviamente indicando como queria que tudo acabasse. Eu comecei a ler há anos atrás, quando tinha tempo mas não sabia inglês e, como as editoras portuguesas decidiram que não iriam traduzir para além do 4º livro... tive de esperar até este ano, em que consigo ler inglês, para recomeçar a coleção. É ma-ra-vi-lho-so revisitar a série, que btw é bastante popular e das séries de fantasia mais diversas que conheço (especialmente a nível racial e cultural, e tem também um casal poliamoroso), em um fandom que conhece o valor da representatividade, e... agora vai ter série! E como eu já amei o cast de protagoistas - que mesmo não estando totalmente fiel ao livro, acho que capta na perfeição a vibe das personagens e também não contradiz demasiado as descrições - e vi o quanto a equipa de produção tem pedido feedback aos fãs, a minha confiança na série é mesmo, mesmo alta neste momento. Façam o que fizerem, eu tenho a certeza de que vou gostar. E portanto aproveito para dar isso a conhecer.
OBS: Se ainda não viram a minha resenha de [Shimanagi Tasogare], vejam por favor porque é dos meus mangás favoritos, e porque eu tive imenso trabalho a selecionar imagens para ninguém as ver >///<.






