Então... Amanhã vou responder aos
comentários novos e com um bocado de sortre comentar noutros blogs. Sinto que o tempo ainda está apertado, mas é um mínimo que eu tenho de fazer. Já agora, mal comece novembro, eu quero tentar participar do desafio NaNoWriMo, que desafia os participantes a escrever uma novel inteira durante Novembro, escrevendo X palavras por dia - podem ver mais e participar oficialmente no [
site oficial]. O prémio é simplesmente conseguir acabar as histórias que temos na cabeça >.< E sim, parece mesmo o tipo de coisa que vou conseguir fazer numa das alturas mais ocupadas do ano, eu sei... O que vale é que agora tenho o quarto só para mim e já ninguém me deve descobrir se eu ficar acordade até tarde a escrever.
Hoje vou resenhar 3 filmes de animes - aquela coisa que sempre me fez torcer o nariz e sempre vi como meh - que superaram as minhas expectativas. E à fama que dois destes filmes têm, as minhas expectativas já não eram propriamente baixas. São 3 pérolas que restauraram a minha fé em filmes de anime e portanto recomendo a toda a gente ver ^^ Já agora, não vou comentar isto nas resenhas individuais porque é comum a todos os filmes, mas tanto a arte como a animação foram impecáveis.
Kimi no na wa / Your name
Sinopse: Mitsuha, uma colegial, deseja viver a vida de um rapaz de Tokyo - um sonho que contrasta com a sua vida presente no campo. Enquanto isso, na cidade, Taki vive uma vida ocupada como um colegial enquanto faz malabarismo com o seu trabalho part-time e tem esperança num futuro como arquiteto. Um dia, os dois trocam de corpo. Para descobrir a resposta a este estranho fenómeno, começam a procurar um pelo outro. O enredo gira em torno das ações dos dois, que começam a causar um impacto dramático na vida um do outro, tecendo-as num tecido unido pelo destino e pelas circunstâncias.
Primeiro: A Mitsuha é queer e ninguém me pode fazer mudar de ideias. Ela decididamente gostava da rapariga que trabalhava com o Taki e estava a aproveitar o facto de ser lida como rapaz para investir num relacionamento, e mesmo que isso não tenha ido a lado nenhum, é algo semelhante ao que acontece a muitas raparigas no espectro bi. Segundo: eu AMEI o plot twist! Estou a conter-me para não dar spoilers, mas a maneira como tudo serviu para uma das personagens poder alertar a outra acrescentou um nível de complexidade extra à história, passando de romance + body-swap a uma história sobre destinos unidos para salvar uma parte significativa da humanidade. Contudo, mesmo havendo um propósito maior na troca de corpos, eu gostei de ver como as personagens se afeiçoaram ao círculo de amigos e suporte familiar um do outro, e de ver a reação dos próprios amigos a isso. Foi realmente algo escrito com sensibilidade
Koe no katachi / A silent voice
Sinopse: Como um jovem selvagem, o estudante do ensino fundamental Shouya Ishida procurou vencer o tédio das formas mais cruéis. Quando a menina surda Shouko Nishimiya é transferida a sua turma, Shouya e o resto de sua turma intimidam-na por diversão. No entanto, quando sua mãe é notificada pela escola, ele é apontado como o único culpado pelo que lhe foi feito. Shouko voltou a ser transferida e Shouya é deixado à mercê de seus colegas de classe. Ele é ostracizado até crescer, e os professores fazem de conta que não notam. No 3º ano do ensino médio, Shouya ainda é atormentado por seus erros passados. Lamentando-as sinceramente, parte numa jornada de redenção: encontrar Shouko mais uma vez e fazer as pazes.
Sempre tive um fraquinho por redemption narratives, e diria que a história de um bully que se arrepende e quer redimir ao crescer se enquadra perfeitamente nisso. Até porque eu acredito que quase toda a gente pode mudar no sentido de deixar de ser ignorante, aprender a respeitar pessoas diferentes de si e aprender a incluir. Também acho que, embora ninguém seja obrigado a dar segundas oportunidades, fazê-lo pode realmente trazer resultados positivos para todas as partes envolvidas, daí a Nishimiya ter todo o meu respeito. E o Ishida também, já que ele não se redimiu só em relação a ela - ele literalmente corrigiu toda a merda que fez, não por apagar o passado, mas por reconhecê-lo e aprender a lidar com ele na prática. Isto não é um filme sobre uma pessoa que fez merda durante toda a história e termina com ela a arrepender-se. Isto é um filme sobre uma pessoa que já está arrependida e que mostra o que fazer para corrigir isso, sendo uma narrativa que eu admiro por não mostrar o arrependimento como o "good-ending", como o final satisfatório, como suficiente. Arrependimento não tem qualquer valor se não tiver impacto a nível das ações, e a delicadeza com que esta história foi contada demonstra-o perfeitamente sem ter um ar moralizador.
Contudo, o mais maravilhoso é que o filme, a par disso, mostra que não pode haver respeito sem empatia. Seja pelo paralelo entre o perdão de ambos os protagonistas aos seus respetivos bullies, seja pelo paralelo do desejo de suicídio, seja pelo Ishida passar grande parte do filme "sem ouvir" - como forma de se proteger dos comentários negativos e de se distanciar de pessoas com uma atitude com a qual já não concordava, mas bloqueando simultaneamente tudo o que havia de positivo - seja pelo facto de todas as personagens terem de expor os seus problemas, pois guardá-los para si impedia que os laços criados fossem verdadeiros, seja por mostrar que todas as personagens amadureceram de maneiras distintas... Os detalhes visuais e sonoros também contribuem muito para transmitir significado: as cruzes no rosto das pessoas indicavam com quem é que o Ishida se conectava; a explosão de som no final do filme mostrou que o protagonista se voltou a conectar com o mundo e que o círculo de pessoas que "ouvia" tinha expandido drasticamente, acabando com o seu isolamento; a cena em que ele chama o nome da Nishimiya, apesar de ela não poder ouvir, denota o desespero da situação e a tentativa de se aproximar dela; a maneira de comunicar da rapariga, não só através de linguagem gestual mas também pela fala, não invisibiliza o fact de ela ser surd deixando claro que ela nunca teve nenhuma terapia para aprender a dizer os sons corretamente; São várias coisas que considero bem feitas... e, embora eu ainda tenha algum receio de que a história tenha romantizado o facto de ela ser surda sem que eu me apercebesse, não creio ter sido o caso, pois todas as personagens têm os seus conflitos pessoais adereçados.
Asagao to Kase-san / Kase-san and morning glories
Sinopse: Yamada é uma tímida colegial do segundo ano que é membro do comitê de jardinagem. Kase, da classe ao lado, é uma linda rapariga que é o ás da equipa de atletismo da escola. Como resultado das glórias matinais plantadas por Yamada, a distância entre as duas pessoas que nunca trocaram palavras encolhe pouco a pouco.
Eu já tinha ouvido falar desta OVA de 1 hora em várias recomendações de shoujo-ai, e já tinha visto em alguns amvs que a interação entre as personagem é fofinha. Mas só esperava isso: uma coisa fofa. Acontece que essa palavra não basta para descrever, pois as personagens e as interações entre elas são a coisa mais adorável que eu já vi em toda a minha vida :3 Mas não é só isso que torna a história agradável: tem desenvolvimento, um desfecho satisfatório e inteligente (embora um tanto repentino), e o relacionamento em si está desenvolvido de forma credível: Os guinchinhos e o entusiasmo das personagens por estarem apaixonadas, as personalidades distintas, a maneira como confrontavam os problemas em vez de deixaram o relacionamento apodrecer, o facto de nenhuma ser forçada a nada... decididamente um relacionamento saudável e espontâneo, que bem podia ter sido desenvolvido entre um casal duárico (entre pessoas de géneros diferentes) sem haver qualquer alteração no enredo. Vá, o episódio que sucedeu por se mudarem no mesmo balneário teria de sofrer alterações ;)
E era isso por hoje. Já agora, tentei ver Madoka Magica, mas só vi ainda 2 eps que nao me motivaram particularmente, apesar de eu saber que é daqueles animes que toda a gente devia ver - e não duvido de que, passando do episódio em que estou, vai ficar mais interessante. É só que entretanto comecei a ver Bunny girl, já vi os 3 primeiros eps e eu estou a adorar tudo - a personalidade dos protagonistas, as interações e diálogos entre ambos, a arte bonitinha, a maneira como o
anime podia ter acabado no episódio 3 e já seria um final satisfatório... Ok, só estou a dar 8, mas mesmo assim é uma boa classificação para um anime de romance e para as expectativas que eu tinha. Fora que uma das frases do terceiro episódio quase me fez chorar de tão
relatable que achei: "Se ninguém te reconhece, é a mesma coisa que não existir neste mundo" [
print]. É, eu estou a aplicar isso ao facto de ninguém poder ser reconhecido como não-binárie e tal... mas enfim.
Tenho um trabalho para acabar.
Jaa!