Após intensas semanas de trabalhos de faculdade, finalmente consegui trazer um post. Metade deste post vai ser um "desabafo informativo" sobre questões lgbt+ (embora se possa aplicar a outros grupos também), e a outra metade consiste em mim a tagarelar sobre o que tenho feito, como a minha ida ao Iberanime este sábado. Cá vamos nós:
Aliados superficiais mas bem intencionados
Eu não pretendo aqui falar de pessoas abertamente lgbtfóbicas, nem de pessoas sem educação que têm uma visão muito reduzida, nem de pessoas violentas. Essas tendem a ser, precisamente, as pessoas com as quais eu
não perco o meu tempo. Também não me vou referir a pessoas que estão conscientes dos seus próprios preconceitos, mas os negam para gerar vídeos polémicos e provar que dá para proferir merda sendo politicamente correto [
www - o vídeo é irónico]. Nada disso: a forma de preconceito que eu mais tento combater, e também a que mais me incomoda, é o
preconceito não-intencional.
Pré-conceitos são noções pré-formadas, opiniões redutoras ou superficiais, mesmo quando não são opiniões negativas. Hoje em dia, é disso que se vê mais: há cada vez mais gente a achar que todos devemos ter os mesmos direitos, pessoas que acreditam na igualdade, pessoas até mesmo de minorias que tiveram uma vida fácil que chegue para acreditar que falar dos problemas apenas reforça as diferenças... Minorias sociais já são representadas na televisão, mencionadas na escola e consideradas algo a ter em conta por pessoas que querem ser decentes.
Isso é bom. Mas é tão pouco...
Pessoas trans já podem mudar de sexo. Mas não basta, quando só quem decide mudar tem o seu género levado a sério. Não basta quando, se não parecerem suficientemente femininas ou masculinas a alguém, ainda são tratadas pelos pronomes ou nome errado, mesmo que isso se aplique ao seu passado, sem elas darem autorização. Não basta quando "transsexual" é a palavra popularizada pela comunidade médica, em detrimento de "trans" ou "transgénero", um termo mais inclusivo escolhido pela própria comunidade, nem basta quando esse termo ou a visão de que pessoas trans se sentem "presas no corpo errado" são aceites apenas porque se arranjou UMA pessoa trans com tanto ódio internalizado que foi à televisão suportar essas noções. Não basta quando pessoas não binárias nem sequer são consideradas, nem quando a nossa língua é tão binária que é incapaz de oficialmente reconhecer o género delas...
Pessoas hétero acham que amor é amor. Para elas, não importa se alguém é hétero ou gay... e? E mais nada. Só hétero e gay. Porque bissexuais, segundo o que muita gente pensa, não amam de verdade, estão apenas confusos, têm tendência a trair por sentir falta do outro sexo ou irão eventualmente abandonar a fase em que estão e decidir qual dessas opções são. Assexuais são doentes ou celibatários, arromânticos são robôs, pansexuais são pedófilos ou fazem sexo com coisas ou animais, tudo isso na opinião de muita gente. Não basta achar que amor é amor, se só se considera um número reduzido de pessoas como capazes de amar.
Há muita gente a suportar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas que considera isso um casamento gay. Vê um casal de pessoas que acha que são do mesmo género na rua? Casal gay. Ou lésbico. Porque a identidade das pessoas não é considerada, e isso não basta. Também não considera que há pessoas não hétero casadas com alguém de géneros diferentes, e quando considera é para dizer que são privilegiadas, ignorando o quanto invisibilidade é sufocante. Não basta suportar um casamento, se não se suporta a maneira como o casal se vê a si mesmo... E decididamente, não basta suportar "casamento gay" quando são duas pessoas hétero de géneros diferentes a casar-se, apenas pelo facto de uma ser trans. Não basta, quando se assume coisas sobre a identidade das pessoas.
Não basta suportar casais entre mulheres mas achar que "lésbica é uma palavra feia" ou que mulheres cis não têm sexo a sério porque não há um pénis no meio. Não basta suportar determinados tipos de amor desde que o afeto não seja mostrado em público, muito menos quando não se tem problemas com as mesmas demonstrações por parte de casais tipicamente aceites. Não basta aceitar que alguém é bi ou pan e depois dizer à pessoa que ela é "basicamente X", nem aceitar que alguém é não-binárie mas depois pedir que escolha um género binário em formulários. Não basta aceitar que alguém é assexual, mas depois achar que le parceire tem o direito de exigir relações sexuais, ou dizer que a pessoa nunca encontrará ninguém que a ame se não aceitar isso. Não basta acreditar que alguém é arromântico quando se acha que, por não amar romanticamente, a pessoa é fria e insensível, ou só se quer aproveitar de alguém sexualmente sem ter de lidar com carga emocional. Suporte não é condicional.

Não basta achar que toda a gente tem direito a amar porque têm direito a tomar "opções sexuais" - são orientações, não opções. Não basta aceitar que alguém ama pessoas do próprio género e depois dizer a um rapaz gay "quando arranjares uma namorada". Não basta aceitar que pessoas não-binárias e trans existem e depois fazer uma competição entre rapazes e raparigas. Não basta querer suportar a identidade de alguém quando depois se minimiza a importância das labels que, para muita gente, permitiram a aceitação da respetiva identidade. Não basta achar que relacionamentos entre pessoas do mesmo género são normais, mas só para maiores de idade. Não basta suportar casais do mesmo género e depois dizer que sexo entre uma mulher trans e uma mulher cis é "praticamente sexo hétero". Não basta aceitar que uma mulher é lésbica e depois dizer que é pena, porque "és bonita demais para ser lésbica". Não basta ver com bons olhos casais do mesmo género, mas depois achar que quando uma criança gosta de alguém do mesmo género é "nova demais para saber do que gosta", isto depois de ter achado fofinha a primeira crush dela em alguém do género binário oposto.
Não basta passar na publicidade da coca-cola, quando isso é uma estratégia de marketing para atrair mais público e parecer mente aberta. Não basta ter uma personagem lgbt+ quando os showrunners vão cometer a trope Bury Your Gays, ou nunca proferem a sexualidade dela para depois dizer que os fãs lgbt+ estavam a imaginar coisas - isto depois de apelar precisamente a esse público e lhe dar esperanças intencionalmente. Não basta querer personagens lgbt+ mas depois achar que não devem aparecer em histórias para crianças. Não basta não ter nada contra, quando se ri de pessoas lgbt+ por se quererem ver representadas na televisão, ou por pesquisarem obras para assistir onde são incluídas e respeitadas. Não basta representar, quando se encara essa representatividade como uma moda, um extra, um requisito... não como o direito que é.
As intenções não são más - mas não se deve pedir desculpa quando se calca o pé de alguém sem querer? Então porquê que aliados reagem na defensiva quando se aponta que eles cometeram um deslize? Uma parte de mim acha que isso é porque a sociedade tende a retratar pessoas preconceituosas como monstros, como aquilo que só quem é "mau" é, como aquela coisa que toda a gente critica e aponta como o modelo de cidadão que não se deve ser. Há um othering, um distanciamento das pessoas que erram, como se isso não fosse humano e como se não fosse possível errar dando o nosso melhor. Então, quando alguém bem intencionado tem as suas palavras ou ações entendidas como preconceituosas, sente-se injustamente acusado - como é que alguém pode pensar assim tão mal de si?
Há aliados que fazem um trabalho muito, muito competente, principalmente por darem ouvidos às comunidades pelas quais advocam e estarem dispostos a reconhecer os seus erros. Porém, a maioria faz um trabalho superficial. O apoio é condicional, o conhecimento reduzido, o esforço só se nota quando não há nada a perder ou quando os fará ficar bem na fotografia. As intenções são boas...
...mas não basta.
O que tenho feito:
O Inktober, de que já falei, está assustadoramente atrasado. As minhas copic tinham acabado, só tendo voltado a comprar esta quarta, que ainda não bastou para atualizar o caderno. Pode ser que esta semana consiga recuperar ~boa sorte para mim
Este fim de semana decorreu, em Portugal, o Iberanime. Apesar de ser bastante falado (embora não tanto como a ComiCon), eu nunca tinha ido, e como sou bastante céptica do gosto dos Portugueses, fui para lá com a expectativa de só achar piada por ir com amigos que conheciam as mesmas referências que eu. Contudo, fui surpreendida pela positiva, diverti-me muito mais do que esperava e, segundo quem já foi ao Iberanime anos anteriores, o evento estava melhor este ano.
Pronto, mas vamos começar por quem foi comigo ^^ A minha ex-crush e grande amiga Rute, que foi com uma t-shirt de Death Note e um casaco a dizer "unicorn squad" (combinar roupa, o que é isso?), e foi maravilhoso poder ter um dia inteiro para contar coisas uma à outra, tirar fotos aos cosplayers e surtar juntas; O namorado dela, um dos 3 Brunos presentes, que teve a honra de fazer a Ruru cair no abismo dos animes e é um otaku viciado pela Asuna de SAO; O meu zucchini nr1, Bruno, que para onde quer que vá faz as pessoas rir, tem um sorriso totó no rosto, e gosta tanto de cães que no meio de tantas coisas de anime quase pensou em comprar o peluche de um cãozinho, fora que foi convencido a ver Fullmetal Alchemist devido a uma encenação de dois cosplayers; O meu zucchini nr2, Pedrinho, que estava um bocado abatido de manhã e me deixou muito preocupada, mas começou a aproveitar mais quando chegou um dos seus huggers favoritos, Andy (ele deu ao Andy o apelido de Lemon Cake, e o Andy chama-o de Cookie); o Andy, que eu só conheci ontem e com quem pouco falei porque se eu já sou tímida normalmente, falar em inglês ainda me deixou mais calada, e como eu sou *cof* ótima *cof* a causar boas impressões, esqueci-me de que as pessoas não se cumprimentam com beijos na cara em todo o lado e deixei-o sem jeito; E o Bruno/Leite, namorado do Andy, desengonçado a andar e com personalidade de gato preguiçoso, que acompanha sempre as seasons de animes.
A primeira coisa que me impressionou no evento foram os
cosplayers. Eu estava à espera de ver um monte de cospobres, daqueles feitos com cartolina, papel higiénico e afins... Mas não! A maioria dos cosplays não só estava bem feito, como era bastante diversificados e alguns tinham detalhes bastante elaborados! Aqui algumas das melhores fotos que tirei, porque eu tentava tirar a toda a gente em andamento e a maioria não está apresentável >.<
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| * capinha de facebook que eu fiz para o grupo do beranime, digam olá à Rute (está à direita) * |
O evento estava dividido nas áreas 4gamers, e iberanime.
A primeira contava com conteúdo mais ligado a jogos: Artigos de computador (ratos maravilhosos, fones...) super baratos, jogos à venda, competições de jogos, rings de luta versão gamer, lugares para as pessoas estarem lá a jogar com condições que não têm em casa, colecionáveis como canecas, carteiras, pins, t-shirts... E cheguei a experimentar uns minutinhos do jogo mais recente de zelda, mas como só estou habituada à playstation, a coordenção não correu mt bem :p Havia ainda um corredor que basicamente servia para experimentar a evolução dos jogos, tendo desde consolas em que quase era impossível jogar a uma VR.
A parte do Iberanime tinha muiiiiiita coisa à venda: mangás, nendoroids e figmas (eu comprei uma Rin chibi de vocaloid), pósters, canecas, carteiras, pins, t-shirts, sacos, acessórios de anime, anéis, peluches, almofadas (Estão a ver aquelas almofadas para o corpo com lolis semi-nuas? Tinha lá uma com um titã), entre outros. Ouve um concerto e uma demo, e as cantoras até aprenderam algumas palavras em português só para falar connosco - eram tão fofinhas que dava vontade de colocar numa caixinha e trazer para casa. Havia mangakas, exposições de desenho, concursos de karaoke e de dança (Para Para Dance, era uma competição entre dois grupos que tinham de imitar a coreografia que passasse na hora), exposição da final de um concurso de amvs (que eu perdi, mas pronto), e uma competição de cosplayers. Em segundo lugar ficou a tal encenação emocionante de FMA, que eu realmente adorei, e em primeiro ficou uma apresentação extremamente cómica com personagens de Boku no Hero, e referências para pokémon e outros clássicos que só otakus entendem. Então sim, achei a colocação justa.
E pronto, creio que é tudo. Jaa ne!