Ohayou minna-san! Aqui é a Any, do {Forever Sapo}. Este é um blog onde direi, sem compromissos, qualquer coisas que me venha à cabeça, através de posts desconectados entre si. É só uma forma de matar saudades da blogosfera.

14 fevereiro 2017

Ainda há bastante racismo em Portugal


{nota: afiliados, querem fazer o favor de trocar o link do Forever Sapo pelo do caixa de Surpresas?}
{agradeço a quem seguir o blog: cliquem na imagem do gadget "sapinhos"}
Ohayou, minna!

Comecei a escrever este post há quase um mês, mas demorei a concluí-lo pois pelo meio finalizei o jogo DAI, e porque decidi que deveria pesquisar mais a fundo sobre o tópico antes de poder postar isto. Escrevi-o com um certo sentido de ironia já que, como vários de vocês se devem lembrar, fiz (há um ano exato!) [este post] onde eu falava de várias questões raciais globais e genéricas, mas dizendo que agora isso já não era o problema predominante e que, hoje em dia, o problema era mais o whitewashing e colorblindness, versões mais "subtis" de racismo. Também denotei, nesse post, a perspetiva de quem nunca o tinha vivenciado nem em primeira nem em terceira pessoa, e que não o considerava um problema muito marcante em Portugal. Agora, escrevo isto sob um olhar diferente - não é que essa versão subtil do racismo não seja, até, uma das mais predominantes, em Portugal especialmente. A questão é que eu estava iludida em considerá-la pouco frequente, em vê-la como um problema distante, e a minha escolha de palavras possivelmente transmitiu a ideia de que impactava menos que as macroagressões racistas ou que era a única que existia. Nada disso é verdade, e eu sabia, mas demorou-me vários meses até o conseguir "sentir" devidamente. E aqui quero abordar o racismo de uma perspetiva mais próxima e menos teórica.

O que me levou a escrever isto foi o artigo [Falar de etnias ainda é tabu em Portugal].

{vocês sabem que não resisto a gifs aleatórios}
Pesquisando mais sobre o assunto, vi que o problema ainda se mantém. O artigo já mencionado e [este] denotam que há série de "desculpas" que políticos (e outras pessoas que deveriam estar responsabilizadas por realizar censos e elaborar estatística sobre o racismo em Portugal) usam para não proceder ao estudo da questão racial. Então abro o post apresentando as razões, e os meus respetivos contrargumentos, que foram dadas para deslegitimar a necessidade deste.
  • A raça é uma construção social» Essa noção fez-me lembrar-me como na questão de identidade de género, se diz também que género é uma construção social, algo com que eu concordo, mas isso não muda o facto de serem caraterísticas com impacto na vida das pessoas. Especialmente coisas que podem ser "detetadas" de forma externa ao sujeito, uma vez que a cor da pele é normalmente algo visível e que, portanto, pode ser usada como base para discriminar. Ao ignorar a questão, está-se a tomar o lado do opressor, pois isso permite não ter dados para comprovar que discriminação racial existe e portanto não ter razões para combater o problema.
  • Somos todos a mesma raça» Dizer que "somos todos humanos" ou que "eu não vejo cor" é uma forma de racismo por si só, chamada colorblind. Tal como o ponto acima, isso contribui para fechar os olhos ao facto de que a discriminação racial existe, desvalidando as experiências de pessoas POC e assumindo uma atitude de desresponsabilização pois "Se não há raças, não há racismo". É uma forma de negar o problema e, consequentemente, negar a necessidade de o combater.
  • Não há concordância se a palavra a que deve ser usada é raça, cor ou etnia» Essa é a desculpa mais esfarrapada, pois até agora nunca ninguém deixou de fazer nada por conta de uma palavra. Mas certo, linguagem é importante e respeitar aquilo que as pessoas consideram representativo do seu problema é relevante. Nesse caso, porque não inventar uma sigla tipo lgbt+? Há milhentas formas de contornar essa questão.
  • Seria difícil classificar pessoas de raça mista (birraciais)» Na verdade, não seria assim tanto. Poder-se-iam criar estudos especificamente para quem é birracial, que também sofrem preconceito, mas de forma um pouco distinta. Se não, era só uma questão de considerar a identidade da pessoa. Será complicado se a própria pessoa não souber - por exemplo, estou a lembrar-se dos comentários em que a Hina-clone diz que nunca sabe se se deve ou não considerar branca - mas se a pessoa sofrer discriminação e quiser ajudar no estudo, provavelmente irá identificar-se com a sua origem poc. E se não tiver nenhuma origem branca? Aí não sei, por isso é que acho que seria melhor considerar pessoas birraciais à parte.
  • Os dados podem ser apropriados negativamente» Isso é um perigo real e merece ser tido em conta, mas se isso fosse impeditivo para não se fazer algum estudo, então não seria permitido obter estatísticas de nada, pois todas podem ser aproveitadas para maus usos. Além disso, com certos censos (como os religiosos, creio) veda-se o acesso a entidades pouco confiáveis, e o mesmo poderia ser feito com esses. Os dados poderiam ser apenas entregues a organizações destinadas a trabalhar a questão, embora eu ache uma pena que informação tão importante se mantivesse inacessível ao público.
  • O racismo não é estrutural e não há leis a perpetuá-lo» Talvez não de forma muito óbvia, mas o facto é que não há medidas que o impeçam de existir, e há questões (como o facto de poucas pessoas de cor fazerem faculdade) que deixam claro que o racismo ainda se encontra a uma escala larga suficiente para poder ser considerado estrutural, especialmente no que diz respeito a pessoas provenientes dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
  • Os dados poderão ser usados para reforças estereótipos, como o facto de as pessoas dos PALOP terem benefícios monetários» Como já mencionado, os dados podem ser apropriados negativamente e um exemplo disso seria, de facto, usá-los para atacar as pessoas e reforçar estereótipos. Mas também podem ser usados para combater essas noções. É verdade que separações podem contribuir para a ideia de que somos todos diferentes, mas a) ser diferente não é um problema e é até algo que deveria ser mais aceite b) ser diferente não tem de implicar, muito menos justificar, tratamento diferente a não ser que hajam necessidades específicas dentro de um determinado grupo c) essa é uma realidade e fugir dela não ajudará a que as pessoas se entendam e comuniquem.
  • Os estudos feitos sobre imigrante (frequentemente não.brancos) já permitem tirar conclusões» Essas conclusões estão normalmente erradas, precisamente por extrapolarem tanto os dados e por equacionarem racismo a xenofobia. Muitos estrangeiros são perfeitamente brancos, vistos como tal e não sofrerão discriminação (racismo, pelo menos). Muitos estrangeiros são vistos como brancos, mas não o são realmente, e sentem-se invisibilizados. E isso também parte do princípio que pessoas de cor não são portuguesas, quando muitas vezes as próprias se identificam como tal e nasceram aqui. Esse é um problema que também se coloca na França, aliás, e que não tem como reconhecer as particularidades do racismo. São demasiadas coisas diferentes associadas e despachadas para uma única categoria, é óbvio que nunca permitirão ir à raiz do problema... -.-
E esses são só os contra-argumentos ao que foi dito na notícia acima! Eu estive a pesquisar um pouco mais, e uma pessoa escreveu um artigo com exemplos bastante concretos de racismo em Portugal, que podem ler rapidamente [aqui]. A [educação] tem um papel de culpa no meio disto tudo: os manuais escolares poucas mensagens positivas passam sobre negros (isto quando não estão a denegrir a sua imagem), professores reprovam mais vezes alunos poc (especialmente negros), e há um encaminhamento dos mesmos para vias profissionais (ou seja, fugir à faculdade). Descobri que a afrofobia - termo que só aprendi [neste] post - é o tipo de racismo menos subtil e mais comum: afro-descendentes têm de enviar duas vezes mais candidaturas para serem chamados às entrevistas, são mais comuns nas prisões, alvos de violência policial e a sua versão dos factos não costuma ser ouvida em tribunais. É "engraçado" que eu só tenha reparado nisso tão recentemente, porque até agora tenho apoiado o movimento Black Lives Matter [desmistificando o que as pessoas acham dele + versão extensa], mas encarava isso como algo relativamente distante ou que, pelo menos, não seria tão necessário em Portugal como noutros países. 

Não só isso, voltando a meter xenofobia ao barulho, há bastante preconceito até em relação a pessoas brasileiras - não aquele preconceito mal-intencionado, mas o tipo de preconceito que se apoia em estereótipos: Brasileiros não trabalham, todos sabem sambar, as mulheres só estão interessadas em sexo ou em venderem o corpo a um homem rico para as sustentar e não terem de trabalhar... Há quem não empregue pessoas do Brasil porque "brasileiros são ladrões". Coisas bem horríveis. E isso é irónico, porque no dia a dia portugueses fazem uso de milhentos tutoriais da internet e de coisas disponibilizadas por brasileiros, conhecem brasileiros que fazem coisas incríveis, até reconhecem isso... mas no fim, as noções parvas prevalecem entre grande parte da população. Aqui estão alguns links [www | www | www] que até doem. E sinceramente, fez-me bem ler isso, pois estando rodeada de pessoas mais simples que não tendem a vomitar tanto preconceito às vezes faz-me esquecer que Portugal não é esse país perfeito e super-receptivo que parece, embora tenha gente espectacular e não seja propriamente violento.

Felizmente - e [esta notícia] é de 9 de Fevereiro - Portugal aprovou uma medida bem mais positiva que não só alarga o conceito de discriminação racial, como tem em conta interseccionalidade (ex: ser mulher e negra, que não só permite sofrer discriminação por ambos os aspetos, como isso se mistura numa forma de preconceito própria e numa experiência única), que nesse artigo foi chamada de multidiscriminação. As leis também passarão a ter uma atuação mais imediata no combate ao racismo. 

E era isso por hoje ^^ O post foi mais pequeno que o costume, pois estou a reservar um conjunto de conceitos (como apropriação cultural) para futuros posts, numa espécie de guia genérico sobre racismo - creio que lhe podemos chamar assim. Fora que neste momento estou a investir num post de críticas e elogios à Women's march contra o Trump.

Jaa!

5 comentários:

  1. YOOOOO ANY-CHAN o/

    "nota: afiliados, querem fazer o favor de trocar o link do Forever Sapo pelo do caixa de Surpresas?" AGORA QUE EU ME TOQUEI QUE AINDA NÃO FIZ ISSO '-' Ainda bem que tu avisou aí, senão eu iria me esquecer completamente ;-;

    Enfim, eu confesso que esse post me surpreendeu mais do que o esperado, porque eu já sabia que na Europa rolava umas paradinhas de xenofobia e racismo, mas eu não imaginava o grau disso tudo. Bem, eu já tinha uma leve ideia de que a visão sobre os Africanos não fosse algo tão positivo assim, mas até mesmo aqui no Brasil onde teve uma mistura louca de povos e culturas, existem pessoas que reprovam a vinda de imigrantes africanos. Por um lado eu até entendo essa resistência, pois sabe-se-lá quem é que está vindo, e infelizmente nem sempre pode ser uma pessoa de bem e nesse ponto eu concordo com essa história de cuidar as fronteiras e imigrações, MAAAAAAASSSS há pessoas que claramente não estão com esse tipo de preocupação, e só não querem por não querer mesmo, por acharem que ou toda a pessoa negra que vem é mutreta e só vão causar problemas =/

    Enfim, mas voltando ao assunto em Portugal, eu já até tinha uma leve ideia, mas imaginava que esse tipo de coisa fosse apenas antigamente, pensei que nos dias de hoje estivesse tudo de boas, aliás, fiquei bem surpresa por saber que pessoas de cor mesmo nascendo em Portugal acabam não sendo consideradas portuguesas... Gente, essa é a primeira vez que ouço isso '-'

    Indo para os contra argumentos, bem você como sempre lacrou e falou tudo o que eu tinha pra falar, aliás SHAUSHAUSHUASU NEM TÔ CRENDO QUE TU COLOCOU O MEU EXEMPLO ALI! Mas, tenho que admitir que aqui no Brasil seria provavelmente impossível classificar as pessoas de raça mista, até porque o mundo inteiro já passou por aqui e deu essa misturança louca que se vê hoje em dia. Tipo.... Se for parar pra pensar, no Brasil não tem o que chamaríamos de "raça pura", todas as famílias tem uma mistura aqui e ali de algum outro povo. Por exemplo, na minha região é bem comum ver famílias que descendem de alemão, italiano ou polaco. Só na minha família temos: Italianos, portugueses, negros e indígenas (sendo que os negros e os indígenas são beeeeemmmm distantes, parentes longe lá da minha avó paterna), então eu concordo que classificar um povo que tem várias origens seria um grande desafio. E sobre o meu caso de "crise existencial", confesso que nunca liguei muito pra isso, eu fico meio "o que diabos eu vou marcar aqui" na hora, mas no final das contas eu acho isso mais cômico do que algo sério. Na verdade se forem me perguntar o que eu me considero (levando em conta apenas cor de pele), eu não me considero nem branca e nem negra, apenas uma pessoinha de pele morena, acho que eu não levo isso tão a sério porque aqui no Brasil é bem comum o meu tom de pele, principalmente em regiões onde se tem bastante verão e praia, então acabo não me vendo como um peixinho fora d'água (e também já recebi altos elogios por conta da minha corzinha U3U ~momento glamour on~)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isso que eu vou falar talvez não tem muito a ver, mas como também há uns toques sobre imigrantes, isso me fez lembrar de algo interessante que eu ouvi: Tempos atrás no titio Youtube vendo um canal marotinho (chamado Cadê a Chave... Sério, mozão de canal <3), o casal que apresenta o canal comentou o seguinte: Que a pessoa pode até ser branca no seu país de origem (no caso Brasil), porém a partir do momento em que ela coloca os seus pés em outro país (ex: Estados Unidos), ela deixa de ser branca para ser uma Latina Americana, ou seja antes mesmo dela ser uma pessoa branca, ela é uma latina americana, tanto que as pessoas negras dos Estados Unidos passam a ser mais brancas do que as pessoas brancas vindas de algum país latino americano como o Brasil. Acabei achando bem interessante essa colocação deles, e isso provavelmente acontece muito mais forte com os Mexicanos, ainda mais com aquele maluco do Trump '-' Enfim, mas num geral é isso, não importa para que país a pessoa está indo, no final mesmo que ela seja branca, o país de origem dela irá falar mais alto, principalmente se esse país for emergente/subdesenvolvido

      shaushausausuashuashu sinceramente eu não sei se rio ou se choro com a fama que os brasileiros tem pelo mundo. Olha, eu sinceramente confesso que brasileiro é meio complicado. Oksss, tem aqueles que saem do país pra trabalhar mesmo, pra buscar por uma vida melhor e modéstia parte quando a gente quer a gente sabe fazer bonito e trabalha como ninguém! Aqui tem gente que levanta 4 ou 5 horas da madrugada pra pegar não-sei-quantos-ônibus ou metrô ou pra andar MUITO pra chegar na hora certa no trabalho, passar o dia inteiro trabalhando e chegar só de noite em casa, e isso ainda correndo altos riscos de ser assaltado ou coisa pior! E mesmo assim tão lá, sempre em ponto fazendo o seu trabalho direitinho. Tem pessoas que são realmente maravilhosas. MAAAAASSS, eu confesso que tem uns brasileiros que são complicados, que quando saem só saem pra fazer besteira. Tipo, não teve aí em Portugal um brasileiro RETARDADO, TROUXA DA PORRA que quebrou uma estátua em um museu!? E infelizmente existe sim, brasileiros que quando vão para o exterior é para causar problemas ou para fazer algum desvio de dinheiro =/

      Ali sobre as escolas, bem eu não sei como anda hoje em dia, mas pelo menos na época em que eu estava no fundamental/ensino médio, as escolas faziam um trabalho educativo no "Dia da Consciência negra", pra te falar a verdade não sei se todas as escolas faziam isso, mas pelo menos nas que eu frequentei havia esse tipo de trabalho.... Okkss, era uma vez ao ano, mas pelo menos havia uma semana que tinham trabalhos de reflexões sobre o assunto e preconceito.

      Eliminar

    2. Sei lá, é meio triste ver que mesmo após anos e anos de escravidão, pessoas negras acabam sendo vistas como "seres inferiores", tipo mesmo que os criminosos que aparecem na tv por aqui sejam (na maioria) pessoas negras/morenas, ainda assim há todo um contexto histórico e descaso de governos e governos que passaram por aqui, que acabou resultando nisso tudo. Não querendo tirar a culpa dessas pessoas que cometeram crimes, pelo contrário uma vez que a pessoa cometeu algo ilegal, não importa a vida que teve, ela deve arcar com as consequências e tomar responsabilidade. E para ser sincera, é tanta barbaridade que a gente vê, que muitas vezes o sentimento que predomina é o de raiva e de querer fazer justiça com as próprias mãos. Mas, é aquela velha história "a fruta podre estraga todo o resto", então de tanto ver criminosos com o "mesmo padrão", se cria esse esteriótipo (pelo menos aqui) de que pessoas negras possam ser criminosas e talls =/

      Enfim, gifs aleatórios como sempre, mas como sempre eu amo esses gifs <333333 (ainda mais com esses machos alfas lindões!)

      Kiss

      P.s: Agora me lembrei de algumas coisinhas: Sobre o carnaval, é verdade que aqui gera uma grande comoção, mas por incrível que pareça nem todo o brasileiro e nem todas as regiões do Brasil comemoram e consideram o carnaval como algo super importante, esses desfiles de escolas de samba que geralmente aparecem ocorrem somente no Rio de Janeiro. Há outras regiões como São Paulo e até mesmo na minha cidade natal Porto Alegre que também fazem isso, mas a fama mesmo e toda a propaganda que é mandada para o exterior é do Rio de Janeiro. Sem mencionar que aqui ainda existem formas diferente de se comemorar o carnaval, tipo na Bahia o carnaval é comemorado em trios elétricos (um carro-pseudo-palco onde alguns famosos vão cantar nas ruas e o povo se junta, é um show nas ruas da cidade). Mas se pegarmos outra região como Pernambuco, o carnaval possui desfile de bonecos gigantes e pessoas dançando frevo. Então, pelo menos temos uns 3 tipos diferentes de carnaval aqui no brasil. E há regiões meio flopadinhas / tanto-faz como a minha que até comemoram carnaval, mas não chega a ser algo grandioso e super-hiper-mega esperado como em outros locais.

      Ah, e sobre as mulheres brasileiras, eu sinceramente entendo o porque dessa fama, provavelmente por causa de imagens do carnaval e se duvidar até de funk é normal que tenham uma ideia dessas. Acho que o próprio país erra na hora de mostrar sua cultura e acaba ele mesmo criando os próprios esteriótipos, como esse do futebol / samba / carnaval, sempre que tem alguma propaganda do país, até mesmo aqui dentro é geralmente essa imagem que nós vemos.

      Okss, prometo que agora eu paro com as fofoquinhas!

      Eliminar
  2. Yoo Any ^^
    Primeiro... flor, o link que você colocou pra a postagem de um ano atrás dá dando pra resenha de DAI. Segundo... que contrargumentos deliciosos. Você mandou muito bem e adorei suas ideias e contrapontos ^^
    Pra ser honesta, eu fiquei um pouco surpresa, não imaginava que as coisas também são assim em Portuga. Imaginei que havia sim racismo ai, mas de maneira mais atenuada, como o whiteprivilege que você citou no post anterior.
    Acontece cada barbaridade aqui no Brasil em questão do racismo – gente que apanha e morre simplesmente por ser negro, é ofendido e menosprezado, garotas que tem os cabelos agarrados por pessoas que dizem “não gostar do estilo”, a guerra do tráfico onde são mortos diversos inocentes (e advinha a cor deles....). E isso é apenas uma parte disso, mas uma parte extremamente violenta que acontece todos os dias. Só que apesar de escancarado, são muitos os brancos que preferem fechar os olhos para isso – negando como você msm disse, o racismo ou dizendo que reivindicações ou lutas contra a apropriação cultural, por exemplo, são coisas irreais ou forma de conseguir privilégio *revira os olhos*.
    Inclusive, a questão de apropriação cultural voltou a ser discutida com força aqui, depois de um episódio em que uma garota branca com câncer que usava um turbante foi supostamente abordada por mulheres negras no metro que questionaram o porque ela usar o turbante. Mas vou deixar pra comentar isso no seu próximo post~

    Adorei e o comentário da Hinata sobre a birracialidade, porque eu nunca tinha pensando muito bem por esse ponto. E esse tema me lembrou uma cagada que fiz sem querer pra um amigo: na nossa sala a gente fazia uma peça de teatro uma vez por ano, e a peça que faríamos teria Deus, e ele seria negro segundo o roteiro original – a cena era mais ou menos assim: todo mundo morre e eles vão parar no purgatório, lá aparece Deus e eles ficam surpresos com a forma que ele apareceu. Eu como roteirista fiquei responsável por reduzir a peça, mas sem fazer ela perder o sentido, e como ela era era bem grandinha, tentei cortei muuiiita coisa inclusive essa parte do Deus negro. Um amigo que eu era bem próxima (na verdade, a gente sentava colado um do lado do outro e ficava causando no fundão -sdds) iria fazer esse papel – e era birracial e me perguntou porque eu tinha tirado aquela parte e eu respondi que ele não era negro e ele ficou “ah.... ok então”. E tipo ele ficou de boas com isso, mas só depois que a apresentação passou que eu percebi nossa, que merda que eu fiz! Eu fiquei bem bolada, falei com ele depois, mas... Essa situação podia ter sido evitada se eu tivesse mais conhecimento. Eu não posso determinar que é ou não é o que. E esse meu exemplo foi só para ilustrar que mesmo nas ocasiões mais banais, um estudo, uma sigla (eu adorei essa ideia!) ou qualquer coisa do tipo teria ajudado a evitar isso.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sobre os estrangeiros, é verdade que por vezes pode entrar terroristas, mas a questão é bem mais complicada que isso. Houve a exploração feita por países terceiros o que ajudou a colocar fogo no conflito e o fato de muita gente estar só tentando sair da guerra e miséria para salvar a própria vida. Tem um vídeo bem simples e explicadinho sobre a Guerra da Síria, que acaba por dar apoio aos imigrantes, vou colocar aqui, caso queira ver: https://www.facebook.com/fecastanhari/videos/977728875661832/?pnref=story
      Falando no ISIS, muitos de seus recrutas são ocidentais, gente que é recrutado pela internet e recebe treinamento. Ou seja, tem muito terrorista que vem dentro do próprio país.
      E sobre isso, tu sabia que o Trump quer criar uma lei para torturar SUSPEITOS de terrorismo em afogamento simulado com finalidade de confissão? Quem disse isso foi meu professor de IAD, e não sei até onde essa informação é verdadeira, mas não ficaria espantada se fosse. Na verdade estou espantada sim, contudo não surpresa.
      Por outro lado, adorei a política da Angela Merkel para receber os imigrantes na Alemanha. Também tem uma série adolescente norueguesa que toca nesse assunto, Skam, que o faz de maneira bem empática (inclusive, uma das protagonistas é uma muçulmana branca *--*).

      Sendo bem generalista... Brasileiro se orgulha de ser zueiro, o “jeitinho brasileiro de arranjar vantagem em tudo” etc, e eu vejo isso como uma maneira que o nosso povo teve pra lidar com a confusão administrativa e política que o país é desde sempre. Essa com certeza não é o modo mais correta, e por vezes quando vamos para outros países, acabamos por tratar as coisas esperando que elas funcionem da mesma forma que elas são por aqui (isso porque estou excluindo casos mais alarmantes de gente que só vai pra causar msm), então consigo entender porque nos veem dessa forma, além da maneira que a mídia (seja ela nacional ou internacional) retrata o brasileiro. Ainda assim, quando se faz questão de enxergar um povo de uma só maneira, batendo tecla no estereotipo acabam por apagar toda a cultura e as pessoas por trás dela (bem como a Chimamanda disse, e eu surtei quando vi que você colocou o vídeo dela na resenha de DAI – amo aquela mulher com todas as minhas forças) e bem, tu sabe onde vou chegar :)
      Ainda assim, UM DIA EU VOU VISITAR PORTUGA!!! (meu plano é ficar rica depois da graduação, mais rica ainda depois da pós-graduação e fazer mestrado em Coimbra – me deixa sonhar) HOHOHOHOOHOHOH e causar na cara de muitos xenófobicos. Adoro a cultura... o fado, o bacalhau (tá, eu sei que bacalhau não é cultura, mas todo mundo fala do quanto vcs comem bacalhau HAHAHAH) e o modo que vocês falam >.<

      E adorei essa lei da multidiscriminação!!! TIPO MUITO, se der vou até falar colocar ela em discussão na sala de aula (eu já falei como é legal fazer direito por causa disso? ahahha). Espero que ajude a resolver algumas coisas. E nossa, adoraria que ela fosse aplicada aqui também. No Brasil racismo é crime, só que é muiiitooo raro alguém ser indiciado por isso – policiais costumam registrar a queixa como assédio moral.

      Mudando de assunto, não comentei antes sobre o Dragon Age pq estava meio ocupada, MAS eu li sua resenha e não consegui me segurar xD eu PRECISO DESSE JOGO OWJWIWJEW <3 Vou guardar um dinheiro e me dar de presente de aniversário no meio do ano, só vou pesquisar antes se meu computador não vai encrencar por causa da placa de vídeo, memória ou coisa do gênero.
      Nem preciso dizer que foi a representividade o que me conquistou de inicio (lgbt+, diferentes étnicas e protagonismo feminino? eu to é vibrando <3 bem que você disse que o jogo era incrível nesse aspecto), mas também tem os gráficos maravilhosos, trilha sonora rainha do funk, e a história... Faz tempo que não me aventuro em um universo épico, e isso tá me deixando animada e nostálgica ao mesmo tempo, até me lembrou um pouco um dos meus jogos favoritos de todos os tempos *joga o brilho* Chrono Cross *joga mais brilho pra enfatizar*.

      Enfim, é só isso mesmo hehe
      Fique bem flor
      Kissus ^^

      Eliminar

Design por @Anilyan Leounear.
Conteúdo e edição originais.
É favor não plagiar ^^