Eu não devia estar a atualizar. Hoje até faltei às aulas por estar com dores de cabeça - que espero e penso que melhorarão depressa - mas o que aconteceu hoje deixou-me ainda pior. Trump. Foi. Eleito.
Enumeração das ameaças
As mortes vão aumentar - por suicídio, nem que seja. Vamos perder direitos conquistados a pulso. Quem só tão recentemente teve o seu casamento validado terá de abrir mão dele. O desemprego da comunidade irá aumentar... Já não haverá quem nos defenda da agressão. Já há gente a fugir de países onde, com a influência de Trump, podem ser mortos legalmente só por serem LGBT+. Eu queria fazer um testamento sobre isto, mas só me sinto vazia...
Não só isso. Trump chama mulheres de "fat pigs", e diz que nunca abusaria algumas porque elas não são atrativas que chegue para ele; Nunca será capaz de reconhecer mulheres rans como mulheres, homens trans como homens, e muito menos pessoas não-binárias; Reforça ideais como "boys will boys" e associa masculinidade a violência imposta, caindo na masculinidae tóxica; Jamais aprovará o aborto; Diz que mulheres basicamente só devem ser valorizadas pela sua aparência; E reduz o papel das pessoas às suas genitálias...
Nota: [feminismo não é só sobre igualdade de género] - todos os tópicos aqui podem ser considerados feministas - mas decidi usar a definição mais restrita para facilitar a organização do post.
Mas o que melhor descreve o medo que pessoas não-brancas, imigrantes e etc estão a sentir é o primeiro link deste tópico. Trump não esconde que odeia latinos e diz que vai construir uma muralha na borda do México; Ele propôs banir Muçulmanes; Disse que os imigrantes da Síria deviam voltar para a sua guerra; A sua linguagem era altamente racista... Eu nem vou detalhar mais, pois é uma abominação.
Eu não sei que chegue do assunto para poder entrar em detalhes, mas a Islamofobia não pode ser desculpada nem invisibilizada em caso nenhum. E que a ISIS fica feliz com a eleição de Trump, também é inegável.
O que fazer: [www]
Não há uma fórmula mágica. Mas se as minorias não se unirem, a coisa vai dar em merda. Se alguém continuar a incendiar discussões por coisas mínimas, ou a recusar-se a ser inclusivo, haverão problemas. E se não nos unirmos com quem não faz parte de minorias que seja mente-aberta que chegue para nos suportar, aí a coisa fica ainda pior.
Mas vamos lá dar algumas dicas mais concretas sobre como sobreviver a isto:
- Keep calm and carry on» Não achei palavras melhores para descrever isto. Há gente com medo, e por boas razões - só não teme nada quem detém privilégios. E sim, toda a gente merece o seu tempo para chorar, ficar enfurecido ou passar algum tempo sozinho. Mas é importante sair dessa fase de desespero para que se possa prosseguir. Talvez o fim do post consiga até encorajar um pouco, mas caso não, e caso você precise de desabafar, talvez esta lista de apps ajude: www. "Self-care" é uma prioridade, pois se não fôr levada a sério - ao ponto de nos afastarmos do que nos exausta e de notícias tóxicas (se preciso, cortando o contado com redes sociais) - nenhum dos passos seguintes poderá ser 100% concretizado.
- Se você é uma minoria...» Mantenha-se a salvo. Encontre gente disposta a aceitar você tal como é e a oferecer apoio incondicional, pois será necessário. Convém que essas pessoas sejam tanto parte do grupo a que você pertence - pois o senso de comunidade faz-nos sentir compreendidos e permite que se aprenda muito com experiências partilhadas - como gente com privilégios - pois serão quem oferecerá proteção, e quem tem a habilidade de nos afastar dos conflitos simplesmente com a sua presença. Se não tiver ninguém que aceite você por perto e não tiver condições para mudar para um local mais mente-aberta, tente passar desapercebido. Eu sei que é injusto pedir isto, que é injusto pedir para você fazer de conta que é algo que não é - mas é uma medida de segurança que de certeza será recompensada com o tempo. Além disso, há sempre safe spaces online [lgbt+...], onde pode encontrar positividade e gente como você.
- Se você não é uma minoria...» [www]Por favor, ofereça suporte. Informe-se sobre minorias - não só aquele conhecimento genérico que qualquer adolescente tem hoje em dia, e sim o conhecimento que só se adquire após estar envolvido com as comunidades. Frequente os mesmos espaços seguros que as minorias e tente não interferir - caso contrário, o seu desconhecimento poderia acabar por ofender e arruinar o propósito do espaço - apenas absorva o quê que faz as pessoas felizes e aquilo que elas são quando têm oportunidade de ser elas próprias. Frequente também espaços menos positivos e fique a par dos obstáculos que elas enfrentam. Pena é um sentimento fútil e que não ajuda em nada. Empatia é um sentimento lindo, inteligente e que serve para unificar as pessoas e facilitar a comunicação.
- Como fazer a diferença?» Encontre um tema de justiça social para o qual contribuir, desde igualdade de género a direitos lgbt+, direitos POC ou respeito por neurodivergências, etc... Envolva-se diariamente com ele, frequente sites de notícias e esteja bem informado, conviva com quem constitui o movimento e colabore, se possível. Participar ativamente não consiste necessariamente em juntar-se a marchas e manifestos - fazer um desenho, escrever uma história, criar um infográfico, panfletos ou outras formas de espalhar visibilidade e combater preconceitos são uma grande ajuda. Chame a atenção de familiares e amigos quando estão a dizer algo preconceituoso (se isto não colocar a sua segurança em risco). Doe. Esteja pronto para votar em tudo o que puder para encaminhar o mundo na direção certa, e faça uso da sua capacidade de escolha e consciência em cada pequena decisão - nao sei se você é da América, mas vamos tentar manter [esta estatística] independentemente de onde estivermos. Por mais insignificante que pareça...
As poucas boas notícias que vi recentemente:
- » Kate Brown, uma mulher bissexual e 1ª governadora LGBT+, é eleita em Oregon: www
- » Ilhan Omar, ex-refugiada somali, é eleita deputada em Minessota: www
- » Kamala Harris é a primeira mulher negra a tornar-se senadora na Califórnia em 20 anos: www
- » Cortez Masto, primeira latina de sempre a tornar-se senadora, a caminho de Washington: www
- » Samuel Park, primeiro filho de imigrantes publicamente gay eleito em Georgia: www




