Ohayou minna-san! Aqui é a Any, do {Forever Sapo}. Este é um blog onde direi, sem compromissos, qualquer coisas que me venha à cabeça, através de posts desconectados entre si. É só uma forma de matar saudades da blogosfera.

26 outubro 2016

Aprender com o que está mal


Primeiro post, hã? Para quem não me conhece, sou a Any do Forever Sapo - eu deixei o link do blog aí algures. E o primeiro post é simplesmente tão random quanto os outros serão. Eu já entrei na faculdade, e estava a filosofar sobre o novo ambiente com a minha mãe (hábito nosso), então meio que acabamos com algumas ideias mirabolantes que serão expostas a seguir ao ler mais.

OBS: Eu nem era para postar nada hj, mas não resisti a inaugurar o blog. Mais tarde direi de onde veio a ideia. 

Então, eu devo dizer que estou numa faculdade do Porto chamada de ISEP, mais precisamente, no curso de Informática. Eu era para ter ido para medicina - mas para além de não ter tido nota nos exames (a média dos 3 anos era ótima, as notas de exame em si é que não) - eu quase só iria para medicina pelos outros. Para fazer bem ao mundo, tanto exercendo a profissão como pelo facto de que esta me daria credibilidade e influência para que toda a minha conversa sobre representatividade fosse levada a sério. Então no finzinho acabei por conseguir ir para engenharia informática, e as coisas ainda estão a correr melhor do que eu esperava porque:
  • 1) EU. ADORO. A. MATÉRIA» Basicamente, isto gira à volta de matemática e programação, duas coisas que faço com gosto e relativa facilidade. Além disso, se eu já fazia uns layouts lindos, com tudo o que vou aprender de APROG, vou ficar melhor ainda ^^ Não se preocupem, qualquer coisa realmente útil ou modelo mirabolante incorporando as coisas que aprendi irá parar ao Chuva de HTML. Além disso, eu tenho esperanças de que um dia possa trabalhar numa indústria de jogos, onde poderei, aí sim, concretizar tudo o que digo sobre representatividade em si.
  • 2) Colegas fabulosos» Para além de eu estar no mesmo curso e quase-na-mesma-turma que um amigo e ex-namorado meu, que ainda me é muito querido, o resto das pessoas que tenho conhecido são todas espetaculares. Não é que eu seja particularmente próxima de todos, mas têm uma energia agradável, uma atitude despreocupada, sorriso fácil, e estão sempre prontos a ajudar quem precisa (e exigir serem ajudados em troca). Não encontrei uma única pessoa snobe que seja. Além disso, somos pouquíssimas raparigas - para terem noção, a minha turma deve ser das que tem mais raparigas, e somos só 3! - mas não aquela ridícula "rivalidade feminina" e os rapazes nunca nos menosprezam nem tentam abusar. Não tenho uma única queixa a fazer.
  • 3) Aulas descontraídas» Os stôres não nos marcam por fazermos algum exercício certo ou errado, se acabarmos os exercícios das aulas práticas antes do tempo podemos estar no pc ou telemóvel à vontade, trabalhamos sempre em grupo, organizamos grupos de estudo, toda a gente colabora, ninguém se stressa, não há gentinha a tentar ter ótimas notas e ainda arruinar as do coleguinha,...

Enfim, eu tinha falado à minha mãe precisamente de como adoro esse ambiente não competitivo. Os 3 anos que passei na escola anterior foram bons para puxar por mim, mas colocaram-me uma pressão nos ombros que agora não sinto de todo. A minha escola estava sempre a lutar para ter uma boa posição no ranking, e se algum exercício fosse mal feito ou nos esquecêssemos de fazer algo, os stores já começavam a mandar indiretas ou a parecer preocupados/desconfiados connosco, ainda que tentassem ser discretos e que nunca tenham chegado a ser antipáticos. Aqui? Who cares! Se temos um exercício mal, paciência, é problema nosso - as dúvidas, que tiremos antes de realizar exercícios. Ninguém tenta mandar no nosso método de estudo, na nossa organização do tempo, em nada. Comparar isso com o ambiente horrosamente-competitivo e snobe das faculdades de medicina - já confirmado por muita gente - faz-me pensar que escapei mesmo no limite de uma depressão das fortes. 

(Eu nunca teria aguentado em medicina, tenho a certeza absoluta. Ia acabar por sair do curso achando que estive lá a perder o meu tempo e ainda com mais medo de confrontar a minha mãe. Se não saísse a bem, sairia a mal, quando caísse de exaustão. Chegou uma altura, antes de fazer a escolha final, em que eu até tive MEDO do que seria de mim se eu entrasse em medicina, e eu estou a tentar não dizer isto de forma dramática. Não me quero estender muito neste ponto, até porque não é algo que me agrade pensar, mas este parágrafo extra foi só para dizer que, até agora, acho que não me arrependo de nenhuma "grande decisão" que tomei).

Voltando ao assunto: eu e a minha mãe temos o hábito de partir de temas mundanos para grandes planos sobre o futuro, e ao mencionar toda a descontração, juntamente com o facto de que eu adoraria trabalhar numa empresa de jogos, acabamos por imaginar que seria espetacular se, um dia, eu pudesse ter uma empresa dessas em meu nome, mas onde as regras seriam completamente diferentes das de empresas comuns. Mesmo que eu fosse chefe, o estatuto apenas serviria para coordenar tudo, pois o objetivo seria tratar os restantes empregados da mesma maneira que eu fosse tratada. O lucro seria repartido igualmente por todos, por exemplo. Quanto a cargas horárias, não imporia nenhuma - desde que o trabalho aparecesse feito, não me importava onde ou quando era levado a cabo. Entre outras coisas... Haha, nós acabamos até a extrapolar isso para algumas reviravoltas na economia, mas vou deixar os detalhes de lado.

Contudo, pensamos tb que, antes de eu poder fazer uma coisa dessas, teria de ganhar experiência trabalhando numa empresa que não fosse minha, mesmo que os projetos em causa pudesse embater nas coisas em que acredito. Obviamente. Pela experiência, pelo dinheiro... Alinhar no sistema não implica desejar sustentá-lo para sempre. Além disso, trabalhar em algo que não esteja de acordo com aquilo em que acreditamos é o primeiro passo para amadurecermos, pois não há maneira mais rápida de aprender do que através dos erros e podres dos outros. Não quero dizer para nos assujeitarmos a nada que custe demasiado - eu não sou apologista do masoquismo, tá? - mas viver na nossa própria bolha, no nosso próprio espaço seguro, apenas a sonhar com o mundo ideal sem nunca confrontar os nossos planos com práticas correntes, acaba sempre em falha. 

Acima de tudo, eu quero aprender com os erros dos outros porque já vi demasiada gente a não aprender. Por exemplo? Empregadas domésticas que são super exploradas mas que, quando um dia ganham poder ou o que for, contratam uma empregada e a tratam da mesma maneira que elas foram tratadas. Em vez de quebrarem a corrente, perpassam o mal - por vingança, ou talvez pq realmente sofreram lavagem cerebral e acreditam que "sim senhora, se eu não tivesse sido tão mal tratada nunca me teria tornado tão forte, e se eu aguentei, esta vítima tb aguenta - além disso, será o melhor para ela". [uma vez vi uma imagem de um homem a oprimir a mulher, que depois descontava no filho, e o filho descontava no ursinho de peluche] Eu não entendo a lógica dessa gente, mas é assustadoramente comum. Opressores oprimindo. É ridículo, é hipócrita, é injusto, é inconsciente, é incoerente. É chocante. Mas quem nunca viu negro machista, mulher transfóbica, gay bifóbico? Se vocês nunca viram, parabéns, têm vivido num sonho e eu desejo sinceramente que continuem nele. Mas a hipocrisia faz parte da realidade de muita gente, e eu não quero ser responsável por perpetuá-la. Por isso quero ver de que modo é perpetuada, para saber exatamente como evitar isso. 

Minha sad quote do dia:
As pessoas causam nos outros o sofrimento que causaram nelas.

O próximo post será bem mais leve, don't worry ^^

2 comentários:

  1. Konnichiwa! Tudo bem?
    Eu vou para a Universidade de Aveiro para o curso de Novas Tecnologias e Comunicação, que é um curso desse género.
    Eu não aguentaria Medicina, tirar sangue, fazer operações e etc, não consegui, fico toda arrepiada.
    A mim não precisam de me pressionar na escola, só mesmo a matemática que sou mesmo lerda. Quem me dera, aulas descontraídas, na minha escola, não temos visitas de estudo por causa do dinheiro ou da "falta de tempo", então estamos sempre trancados na escola.
    SÓ 3 RAPARIGAS!!! Na minha turma há 15 raparigas e 13 rapazes.
    Eu um dia quero ter uma empresa de design, eu quero ser uma patrona como tu, igualdade para toda a gente.
    Kissus and Sayonara!

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    Respostas
    1. Sou mesmo lerda, esqueci-me do link do meu blog.
      ice-cream-da-leno.blogspot.com

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