Recomendações do dia


Ohayou, minna!

Hoje é daqueles dias em que os meus planos vão por água abaixo quando me envolvo numa discussão de facebook. Vocês sabem, aquelas em que uma pessoa diz algo, nós contra-argumentamos, e depois a pessoa parece que está a contra-argumentar mas apenas está a dizer algo que nós já dissemos? Isto combinado com verdades universais que em nada se dirigem à discussão, mas farão com que as pessoas de fóra achem que quem as diz tem razão porque... enfim, ela disse uma coisa que é verdade. Era sobre questões trans. Eu mencionei um monte de coisas a explicar o quê que constituia o conceito de sexo, mencionei que haviam pessoas intersexo e que haviam várias combinações cromossómicas, mencionei como isso nem era muito relevante para questões trans porque sexo e género não são a mesma coisa e blá blá... E que resposta recebo? Mil exemplos de carateristicas de sexo femininas e masculinas (como se eu alguma vez as tivesse negado), acusações de que não sei ciência (quando literalmente coloquei links científicos no argumento) e coisas que em nada se podiam considerar um contra-argumento, como dizer que há mutações (i mean, quem falou primeiro das várias combinações cromossómicas fui eu...) - porque concordam com o que eu disse. Mais valia a pessoa ter dito que a terra é redonda. É verdade, eu teria de lhe dar razão, e nada contribuiria para a discussão. Mas as outras pessoas não veriam que a pessoa não soube contra-argumentar e que até denotou falta de compreensão do argumento inicial, não. O que veriam é que a pessoa estava a dizer algo que é verdade, faz sentido, e portanto eu teria perdido a discussão, não tendo razão nenhuma. 

Ai, fogo... Vamos lá ao post.

Artigo do dia: [www]
Esse é apenas um artigo que encontrei que contrapõe que, não, obesidade nem sempre interfere na saúde de alguém. Não no sentido em que muita gente pensa - embora possa de facto causar problemas menores, mas o link contém um estudo sobre especificamente risco de morte. O resumo é este: O estudo conclui que quem apresenta problemas de metabolismo é mais propenso a morrer devido a problemas subsequentes (por exemplo, por ataque cardíaco). Contudo, a obesidade em si não implica isso, dado que 6% dos indivíduos obesos não tem qualquer anormalidade metabólica

Vídeo do dia: [www]
É um vídeo bem completo que amplifica como medidas ambientais frequentemente desconsideram a questão da acessibilidade: Banir palhinhas de plástico pode parecer bom para o planeta, mas prejudicaria bastante pessoas com certas deficiências.

Oferecer alternativas pode parecer a solução ideal, mas apenas é um fator contribuinte para a solução, não a solução em si. Palhinhas de bamboo são muito duras e podem magoar algumas pessoas, especialmente com deficiências. Palhinhas de metal não podem ser usadas com temperaturas muito frias, podem queimar a pessoa se a bebiba estiver muito quente. Palhinhas biodegradáveis não podem usadas abaixo de dadas temperaturas. Palhinhas de papel podem desfazer-se após um determinado tempo, e algumas pessoas com deficiências que demorem bastante a usá-las ou tenham dificuldades a perceber que se desintegraram correm o risco de as engolir.  Isto dito, as palhinhas da bamboo - e talvez outras alternativas - podem ser usadas por MUITA gente. A solução, como dita no vídeo, passaria por fornecer a toda a gente palhinhas que não fossem de plástico, a não ser que uma pessoa especificamente pedisse de plástico. Ou seja, a solução não seria banir, mas limitar o uso. A maioria das pessoas ficaria contente com palhinhas de qualquer tipo, desde que fossem funcionais, o que faria com que só quem necessita de palhinhas de plástico as pedisse. 

Artista do dia: [www]
Há quanto tempo tinha essa pessoa guardada nos meus favoritos, huh? Não sei. mas é demasiado fofinha para não partilhar. A maioria das ilustrações contém figuras humanas e elementos da natureza, muitas vezes em cenários de fantasia - há várias ilustrações de sereias e bruxas, por exemplo. A pintura usa e abusa de cores pastel, é sólida e saturada de cor. Não sei como descrever melhor, só que é muito bonitinha e deviam ver ;) A artista chama-se Benny.

O próximo post irá de encontro ao tema do vídeo: um guia acessível para um estilo de vida zero-waste!
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4 comentários:

Nigohyu disse...

Olá~ de novo

Mona, eu admiro você, é sério. Eu graças ao bom deus nunca tive que debater sobre algo do tipo (nem debater sobre biscoito ou bolacha), o que me deixa de certa forma com medo, pois se isso acontecer comigo, não saberia lidar, não saberia argumentar, só iria começar a chorar de desespero (o que não é nem um pouco elegante nunca situação de empoderamento). Sempre acreditei que falar (diga-se, explicar) sobre isso é algo muito simples, nem há necessidade de se incluir a tão abençoada religião no meio ou a tão inteligente ciência (mas que se é colocado, já que tem gente que pede tanto por isso ¬¬). Perdoe, não sei me colocar, mas sempre achei fosse uma coisa simples de explicar, mas as pessoas complicam demais kkkkk

Então, a gente precisa conversar aqui sobre o artigo: Nem te conto que tive que esfregar a citação "ser gordo não é sinônimo de doença e ser magro não é sinônimo de saúde" para minha médica???? Inclusive, essa que vos fala é a prova viva da situação. Tenho 1,54m e peso 42 quilos com 19 anos. Sou anêmica e tenho hipotireoidismo. Tomo 4 remédios fortíssimos por dia e sofro de uma metabolismo descontrolado, onde eu como uma mamute e não engordo nem uma misera grama. Inclusive acabo de retornar de uma consulta na pqp. Tive que trancar a faculdade pois não tenho condições de sair sozinha sem passar mal dentro do trem ou na sala de aula. E veja só, colegas me viam passar por tudo isso e apenas INVEJAM o fato de eu comer e não engordar. A minha vontade de tacar uma criatura que se diz humano dentro de um vulcão é enorme. E ainda tenho que chegar na consulta e ter uma médica que fala: "olha, eu vou te passar uma vitamina e sulfato para uso diário. Não se preocupa que vc não vai engordar". Eu comecei a rir na hora, minha mãe quase me taca na parede pelo 'desrespeito'. ─ Gostaria de te indicar o canal brasileiro Alexandrismo, de uma jornalista que fala sobre empoderamento feminino, body positivo e o pão todo. E principalmente este vídeo, com participação de uma nutricionista 'não gordofobia' enaltecendo ainda mais esse artigo que mostrou no post: https://youtu.be/xtc62b8htvQ

Só porque sou magra, não quer dizer que sou saudável. Na verdade estou bem fodida, o que fode tbm com meu psicológico. Ligar uma pessoa gorda à 'obesidade-doença' é só uma desculpa para o desrespeito e implantar mais ainda o padrão de beleza. Onde todo gordo é engraçado, é fofo, é legal, onde a mulher gorda é feia, é desleixada. Não sei descrever meu rancor para isso aaaaa ~to falando demais como sempre~

Demorei um bocado para saber o que é palhinhas kkkk mas enfim, aqui onde moro chamamos de canudo (ou canudinho). E já tivemos uma reportagens na televisão especial para isso, o problema está exatamente aí: em nenhum momento levaram em conta a minoria, era como se não existissem. Sempre digo que a gente tenta criar um sistema que facilite cremar o pacote de chocolate do nosso acento, se é mais fácil você levantar e ir jogar no lixo. Canudo/palhinha de Plástico não seria um problema ambiental se soubéssemos como descartá-lo. Assim como enchentes em cidade não seriam problema se as ruas estivessem limpas, assim como o preconceito não existiria se fossemos menos ignorantes. Viu? É fácil kkkkk Tentar facilitar uma coisa bem mais obvia só dificulta as coisa para uma parcela de pessoas.

Ain gente, já disse o quanto a arte de fazer arte (q) é biurifu? Os traços são lindos, eu confesso que amo desenhos em tons pasteis. Muito lindo mesmo! Minhas artista favorita neste ramo é a Salis (https://www.youtube.com/channel/UCGn-rPKkKlL0Mm3yrpjO4Pg) que tbm faz uns desenhos muito frufruzinhos huuuhuhuhuh. Continuo não me conformando com a capacidade artística do ser humano ^^/

tchauuu♥

Hinata Chan disse...

YOOOOO ANY-CHAN O/

Caraí meu, tu tá postando igual um foguetinho shaushuashua Todo dia um post novo, estarei eu sonhando!? shuashuahsua

Ah, facebook se superando como sempre, aliás, a internet hoje em dia anda meio coisada, a pessoa não pode falar nada que 1) Vem gente querendo lacrar em cima de algo óbvio ou de algo que não tem maldade alguma ou 2) Vem gente querendo disseminar comentários preconceituosos disfarçados de """""boa argumentação"""" quando na verdade não tão falando merda alguma, e em alguns casos até se contradizem, mas preferem cagar com toda a lógica e continuar com a discussão só pra não admitir que estavam errados. Enfim, as coisas tão tensas ultimamente, mas força aí pelo menos tu tentou fazer a tua parte e explicou as coisas pra ele (coisa que eu admiro muito, pois eu não teria a tua paciência, mandaria cagar e foda-se).

Sobre o artigo é aquela velha história: O pessoal acha que POTENCIAL é o mesmo que "acontecer / verídico / verdade do universo irrefutável", ou seja, eles confundem obesidade como um sinônimo de morte, de "NOSSA CARAÍ TU TÁ COM O PÉ NA COVA", acabam simplificando demais uma coisa que é multifatorial. Ok, obesidade pode trazer uma predisposição / um potencial, porém esse potencial só será concretizado se ele for estimulado, ou seja, se a pessoa não tiver uma alimentação adequada, se a genética dela contribuir, se o estilo de vida for repleto de estresse, falta de exercício, tipo se a maneira como essa pessoa vive contribuir para que esse potencial aumente e resulte em algo, caso contrário, uma coisa não leva a outra. Sem mencionar que os distúrbios metabólicos nem sempre são devido a obesidade, a pessoa pode ser gordinha e ter algum problema de saúde, porém esse problema de saúde pode ser de outra origem, ou até mesmo o fato do peso ser consequência da doença ou até efeito colateral de algum remédio que a pessoa toma, e não a causa da doença em si.

Sem mencionar que esse potencial é válido para as pessoas magras também, pois qualquer um que leve uma vida desregulada irá ter grandes chances de adoecer. Tipo, é muita coisa envolvida para colocar a culpa somente no peso, qualquer doença que se estuda tem uma série de fatores envolvidos, então porque quando o assunto é peso resolvem simplificar tudo, tornar a situação tão rasa!?

Sobre o vídeo ~indo pesquisar o que são palhinhas~ ATAHHHHHH, é o que a gente chama aqui de canudinho. ENFIM, é o que a minha mãe sempre fala "Extremismo nunca é bom", as pessoas ultimamente tão muito "8 ou 80", ou é uma coisa ou é outra e nesses extremos acabam excluindo grupos menores ou até mesmo quem tá no "meio termo". Tipo, com tantos problemas ao meu ver banir canudinhos acaba sendo algo extremo, tem tanta coisa errada e vão logo implicar com os canudinhos. É claro que eles também contribuem para a poluição, mas como você disse isso acaba dificultando a vida de pessoas com certas deficiências (sem mencionar que há as crianças também, dependo da idade é mais fácil pra elas usarem um canudo), acho que o melhor seria pensar numa forma de reciclagem então. Sem mencionar que se fossem feitas de outro material como metal, depois do uso elas iriam para onde!? A pessoa iria fazer o que com aquilo!? Se fosse para devolver para serem reutilizadas teriam que ser esterilizadas e aí estariam criando uma complicação em cima de algo que não teria necessidade.

E por fim, sobre o artista: QUE COISINHA MAIS LINDA, adorei todas as artes dessa pessoinha iluminada. Adoro coisinhas fofenhas em tons pastéis, essas coisinhas vibe "cute"

Bem, vou ficando por aqui

Kiss

ღ Anilyan ღ disse...

Resposta à Nigoyu primeiro:

Tecnicamente é simples, e mesmo que a outra pessoa não perceba, ainda pode respeitar o modo como alguém quer ser tratado. O problema é que há gente que vai atirar argumentos de todos os tipos para arranjar uma razão TM para nao respeitar. Mas eu por esta altura já devia ter aprendido a fugir de discussões sobre coisas trans - nunca vão a lado nenhum...

Fico feliz sempre que encontro pessoas magras que defendem o movimento body positive, e por ter partilhado a sua experiência. Deve ser detestável mesmo... é como quando algumas pessoas ficam tão depressivas que nem arranjam força para comer, emagrecem em consequência e as pessoas ainda as elogiam por terem emagrecido - é quase como dizer "bem que podias ter depressão mais vezes!". Essa mentalidade é doentia... Acho que já se notou que eu gostei do vídeo, já que o recomendei noutro post ;)

Hahahaha tanto você como a Hinata tiveram de parar pa perceber o que eram palhinhas >.< É daquelas palavras que eu já nem me lembrava que se dizia de forma diferente no brasil, mas tem piada ver a confusão que causei só com isso. E sim, plástico não seria um problema se 1) fosse descartado corretamente 2) nao demorasse tanto a decompor-se. Mas não sendo o caso, eu concordo que se deva tomar medidas ao nível das leis - não concordo é com o banir em si, por conta de quem iria prejudicar. Mas a solução do vídeo pareceu-me extremamente funcional e eficaz.

E eu tenho mesmo de guardar o link dessa artista!

ღ Anilyan ღ disse...

Agora resposta à Hinata:

Não está sonhando não, e não só estou a postar todos os dias como ainda vou começar a responder aos comentários ;)

"em alguns casos até se contradizem, mas preferem cagar com toda a lógica e continuar com a discussão só pra não admitir que estavam errados" - é TÃO isso!... Eu se calhar também devia parar de responder, mas não queria, até porque se outra pessoa respondesse por mim ia dar a mesma confusão, e mesmo que possa n ter convencido a pessoa, outras poderão ler a minha resposta e ficar esclarecidas.

Eu morri de rir com a maneira como você descreveu a reação das pessoas que confundem obesidade com morte certa >.< E é exatamente isto que eu acho, que "acabam simplificando demais uma coisa que é multifatorial" - não só em relação à obesidade, mas provavelmente em relação a tudo. É por isso que a maioria das soluções apresentadas não funciona, porque não ataca a origem completamente. Até aqui se nota a importância da interseccionalidade...

Quanto a isso das palhinhas (você foi a segunda pessoa a ficar confusa por eu me ter esquecido que o termo era diferente no brasil haha), na verdade são uma questão relevante: há monstes de pássaros que morrem com palhinhas na barriga, e não só. Sim, seria bom encontrar uma maneira melhor de reciclar, mas para além de ser certo que nem toda a gente o faria - e o que não fosse reciclado teria o mesmo destino que atualmente, e ainda por cima plástico demora imenso a decompor-se... - às vezes a solução é mesmo evitar. Só que, lá está, neste caso banir não é a solução - e sim, crianças também precisam, se bem que crianças poderiam, tal como outras pessoas, usar materiais distintos. O metal não é de facto a melhor solução, mas bambu por exemplo seria aceitável para a maioria das pessoas. E o suposto era depois as palhinhas serem lavadas/esterelizadas devidamente, para não ir para o lixo e sim voltar a ser utilizadas. Mas é como o vídeo do link diz: podia-se oferecer uma alternativa que nao fosse plástico para contentar a maioria das pessoas, e ter palhinhas de plástico guardadas para quem as requisitasse por necessidade. Assim já reduzia drasticamente o problema.

E eu adoro arte em tons pastel também :3