Ohayou minna-san! Aqui é a Any, do {Forever Sapo}. Este é um blog onde direi, sem compromissos, qualquer coisas que me venha à cabeça, através de posts desconectados entre si. É só uma forma de matar saudades da blogosfera.

20 julho 2017

Rivalidade feminina


Então sapinhos... ESTOU DE FÉRIAS DA FACULDADE! 
Eu já tentei usar algum tempo para responder a comentários que achei particularmente relevantes, mas não funcionou muito bem porque... eu escrevia o comentário, enviava, e ele simplesmente não aparecia. Então eu estou a pensar em pelo menos despachar coisas relevantes dos comentários antigos num post, e começar a fazer isso relativamente a todos os futuros comentários: responder a coisas mais importantes através de postagens. Assim ninguém se sente negligenciado ^^ E para que conste, eu leio sempre o que vocês escrevem e ex-Hannah Yuki, bem vinda de volta à blogosfera ;) A sua faculdade nem sequer é assim tão longe da minha, é no porto na mesma, mas eu ando no ISEP.

Hoje vim falar sobre uma questão bastante esquecida, até mesmo em páginas feministas: rivalidade feminina. O que me motivou a escrever sobre isto foi um vídeo no [Canal das Bee], já não sei qual, que não só dizia coisas bem pertinentes sobre o assunto como me fez lembrar de várias coisas que provaram que, sim, rivalidade feminina existe e é preocupante. Cá vai:

"As much as I want feminism to bring women together, there are definitely some women who still use catty, covert methods to bring other women down because of their own insecurities and flaws."
- quote [deste post], com o qual me identifiquei imenso em determinadas partes

Rivalidade feminina é uma espécie de inveja que praticamente todas as pessoas designadas mulheres têm/já tiveram quando reparam noutra "mulher" que tem algo "a mais": é mais bonita que nós, recebe mais atenção, é mais competente... O engraçado é que em muitos posts que pesquisei, como [este], isso é apresentado como algo natural - "Sim, nós somos naturalmente competitivas". Embora eu acredite que a personalidade de algumas mulheres seja, de facto, competitiva por si, apontar isso como uma caraterística universal de quem foi designado mulher é não só redutor, por nos apresentar como um monólito, como de certa forma culpa indivíduos por algo que na verdade é um resultado da socialização

Vale lembrar que quando se fala de rivalidade feminina isso NÃO quer dizer que só haja rivalidade entre mulheres, apenas que ocorre de forma um pouco diferente: mesmo na psicologia reconhece-se que uma das diferenças mais marcantes está no facto de que, quando pessoas designadas homens estão a competir entre si por algo, fazem-no abertamente. Em pessoas afab*, a rivalidade é muito mais velada e às vezes até há um certo veneno disfarçado de amizade.
* Vou usar afab para pessoas designadas mulheres, ok? É um encurtamento conhecido, e significa Assigned Female At Birth. Para pessoas designadas homens vou usar amab.

Esse conceito está fortemente associado a uma sociedade patriarcal e ao sexismo/machismo enraizados na sua estrutura. Basta pensar que as pessoas são mais fortes juntas, e que ninguém consegue conquistar direitos sozinho - logo, é benéfico para uma sociedade como a nossa colocar pessoas afab umas contra às outras, pois não só evitam unir-se, como ainda se prejudicam a si próprias. Essa questão é melhor trabalhada [neste texto].

Certo, não adianta de nada falar disto tudo sem dizer em que consiste a dita socialização, apesar de eu já ter usado o conceito em posts anteriores. A socialização, segundo [este dicionário], "é o processo pelo qual o indivíduo, no sentido biológico, é integrado numa sociedade." Essa integração é feita através de vários processos, como a exposição a determinados tipos de representatividade, role models e a educação como um todo. Então agora eu vou basicamente dar exemplos que são facilmente reconhecíveis, para cada uma dessas categorias:

{Representatividade

  • Começando com a Disney» Normalmente não há muitas personagens femininas para além das protagonistas, e quando as há, principalmente se forem da mesma idade, assumem o papel de inimigas. Não é que hajam muitas personagens masculinas também, mas por outro lado, ao menos é raro terem outros homens no papel de rivais. Os filmes mais recentes, como Moana e Frozen, subverteram bastante bem essa trope, mas se pararmos para pensar nos primeiros filmes, o problema é gritante. Branca de Neve? Cinderela? Bela Adormecida? Ambas têm a vida quase estragada pelas outras mulheres da história pelo simples facto de serem mais bonitas e tecnicamente isso atrair mais os homens. Para que conste, não há problema em ter uma ou outra história com um plot assim (por mais simplório que seja), o problema é quando se considera que a maioria das raparigas, pelo menos dantes, não tinha muito para assistir em criança para além de narrativas desse género. 
  • Competição por rapazes» É um tema que se verifica até mesmo em séries e filmes com adolescentes (embora eu não seja a pessoa mais adequada para falar disso).. Triângulos amorosos são uma coisa que me irrita bastante, mas eu nem me refiro a isso - não só porque triângulos amorosos também são frequentemente apresentados como "uma rapariga indecisa entre dois rapazes", mas porque normalmente eles são apresentados da perspetiva da pessoa indecisa, logo o conflito é entre os sentimentos dela, não entre as pessoas amadas. Eu estou é a referir-me a quando duas amigas começam a tentar impedir as interações uma da outra com um rapaz, ou quando uma rapariga vê um rapaz na companhia de outra e, temendo traição, faz de tudo para afastar a rapariga, ou ainda quando uma rapariga é de facto traída pelo namorado e, em vez de discutir com o namorado pk ele é que a traiu, tenta vingar-se na possível estranha que "o roubou" sem sequer pensar que ela poderia não saber que o rapaz namorava. OBS: Eu vou abstrair-me de comentar a heteronormatividade desse tipo de competição.
  • Não há grupos de raparigas» Quando há grupos de pessoas em histórias de ação ou, caso seja para um público mais jovem, que partem em aventuras, são quase sempre grupos de homens/rapazes, com no máximo uma ou duas raparigas (que às vezes nem papel têm, mas essa parte felizmente está a mudar). E quando há mais do que uma rapariga, também não é incomum que sejam rivais, embora isso também esteja a mudar. Quando há grupos de mulheres amigas, não só isso é mais comum em histórias que não sejam nem de ação nem de aventura, como também tendem a ser grupinhos de amigos com um número limitado (quando não só duas melhores amigas) que são um monólito (ou seja, normalmente todas as membros são brancas-cis-hétero) e que nem assim se livram da questão da rivalidade, pois ainda competem com as raparigas do resto da história. De certa forma, isso reflete-se no facto de rapazes entenderem melhor essa noção de espírito de equipa, ou na obsessão de raparigas por BFF's, e é uma pena que pessoas de qualquer género não tenham a mesma compreensão de ambos os tipos de relacionamentos. 
  • Mulheres "diferentes"» Frequentemente se vê em romances a frase "Tu não és como as outras mulheres" a ser usada para conquistar a protagonista. Isto reforça a ideia de que "mulheres" são um monólito de gente que não presta e que até são um fardo amar, e de que aparentemente algumas mulheres são melhores do que outras. Mais detalhes no ultimo tópico da secção da educação.

{Educação:

  • Pessoas afab, e às vezes até amab, crescem a ouvir "Mulheres são falsas", "Mulheres são cuscas/fofoqueiras", "Mulheres vestem-se para outras mulheres" (significado desta última: vestem-se para impressionar outras mulheres)... É natural que depois de tanto tempo a ouvir isso, uma pessoa interiorize que as outras pessoas do mesmo grupo sejam inimigas e, se parecerem amigas, isso é tudo um ato para mais tarde nos deixarem ficar mal. Se essa interiorização é consciente? Não. O problema é esse - a rivalidade é tão subtil que às vezes se desconfia ligeiramente e contra-vontade das próprias mulheres que consideramos amigas. 
  • Pessoas afab são incentivadas, ainda mais do que homens, a serem bonitas, até porque pessoas feias "não vão longe na vida" - e às vezes ir longe da vida implica não só fazê-lo em termos de carreira, como em termos de arranjar um homem (e que homem quer uma "mulher" feia? Ou pelo menos é o que sociedade diz). Pessoas amab, embora possam ser julgadas, não são afetadas da mesma maneira, nem ninguém as julga menos capacitadas, ou incapazes de encontrarem alguém que as ame - embora isso agora esteja a mudar e, se homens forem gordos, partilharem com mais frequência os problemas que mulheres gordas têm. Ser magra é um dos maiores objetivos, e é algo elogiado mesmo quando uma pessoa fica magra devido ao stress - a ironia é que normalmente as pessoas dizem que se preocupam com alguém gordo porque não é saudável, mas se alguém ficar magro por meios nada saudáveis, não se incomodam (mas gordofobia merece um post à parte) - sendo algo elogiado a par com ser de pele branca, de preferência loira de olhos azuis.
  • Pessoas afab com personalidade forte são tratadas como inimigas - em particular se forem feministas ou quiserem saber de direitos, pois aí são vitimistas e as próprias culpadas de a sociedade não nos levar a sério. A ironia é quando são feministas em si, que até proclamam defenderem o apoio entre mulheres, que se atacam entre si e são incapazes de praticar o que defendem. Como dito [aqui]: "Quanto mais o discurso feminista ganha visibilidade, e algumas de suas figuras se destacam, mas o isolamento dessas mulheres é a forma de tortura encontrada pelas outras para mostrar que discordam do papel que ela ocupa. No fim essa quebra de relações nunca é feita de forma limpa e pacífica, ela é rodeada de maus tratos, exposições e picuinhas, que só demonstram o que são as relações abusivas ainda permeiam os meios feministas. Precisamos ampliar nossos debates e desconstruções, para que, realmente, a prática de empatia entre mulheres seja real." 
  • Tudo o que "raparigas", principalmente adolescentes, fazem é classificado como fútil, então há uma luta para não cair dessa futilidade. Isso relaciona-se com o tópico pois frequentemente são as próprias raparigas que reforçam que gostar de certas coisas é errado: gostar de rosa é menina demais, gostar daquela série é estúpido, gostar de romances é superficial, maquilhagem é artificial, ficar zangada é ser histérica... E se uma rapariga é mais nerd? Ou se gosta de desporto ou coisas consideradas arrapazadas? Ninguém vai dizer que alguma dessas coisas é má, apenas se vai tratar isso como se não tivesse valor à mesma. Quanto a mulheres mais velhas, elas também são desmerecidas porque parece que tudo o que elas fazem é acompanhado de um juízo de valor: se veste roupas mais curtas é puta, se se cobre muito é conservadora, se é mãe não pode fazer isto nem aquilo, se não é então é egoísta, se gosta de certos fandoms isso não é para a idade dela, se gosta de outros parece uma velha, se sai de casa é irresponsável, se não sai é chata... Agora parece já não haver tanto julgamento sobre mulheres mais velhas, mas não verifiquei a veracidade disso e não posso falar por experiência própria. Mesmo assim, julgar adolescentes é algo assustadoramente comum, e embora isso também aconteça a rapazes, o desprezo não costuma vir de outros rapazes. 
  • É reforçada a noção de que é mais fácil ter amigos homens, ou tê-los como colegas, chefes de trabalho, etc... pelo facto de que eles são mais confiáveis e não nos vão manipular ou desprezar. Mesmo que uma pessoa se assujeite a alguns comentários machistas, às vezes ainda é preferível a ter de lidar com os julgamentos de outras raparigas. É um facto de que isso não faz qualquer sentido real, mas fá-lo para quem cresce a ouvir que mulheres são falsas, e é daí que surgem tantas mulheres que não gostam de trabalhar ou socializar com outras mulheres. Também é daí que surgem muitas mulheres chefes que tratam empregadas pior do que empregados.
  • Mulheres ouvem ao crescer para ter cuidado para não deixar outras mulheres roubarem o namorado. Também ouvem isso ser falado de forma que passa a ideia de que a culpa é da outra mulher que "tentou" o namorado, em vez de ser do namorado que a traiu. Já falei um pouco do problema disso da secção da representatividade, e não me apetece delongar-me num tópico tão ridículo. 
  • É comum interiorizarmos a ideia de que somos diferentes das outras mulheres, e isso é algo que nos deixa orgulhosas - logicamente, porque ninguém quer ser fútil ou falsa. Essa frase é até usada para nos conquistar e fazer sentir especiais, e não só em filmes (mencionei isso no último tópico da representatividade). Esta é uma das questões mais complicadas para mim, e uma coisa de que fui culpada por muito tempo, então é de certa forma uma prioridade para mim combater a noção de que há pessoas melhores e pessoas piores. Nota importante: A pior maneira de combater isto é chegar ao pé de alguém que acredite que é diferente e tentar arrancar isso da pessoa dizendo que pensar assim é errado e que ela está a ser arrogante - muitas vezes, pensar que se é diferente não é só uma questão de socialização, é também um escudo para que as críticas não afetem a pessoa, e é algo particularmente comum se ela pertencer a determinadas minorias. Gritar ou atacar a pessoa só a vai fazer sentir-se mais incompreendida e agarrar-se mais a essa atitude, fora que continuará sem perceber o problema. O que é preciso é conversar com ela sobre as questões abordadas neste post e oferecer-lhe apoio - esse último aspeto em particular, pois é mais eficaz MOSTRAR que é possível que mulheres não sejam rivais do que DIZER isso. Um post com experiências pessoais: [www]

Basta escreverem no google imagens: "me other girls". Vão ver que, com exceção de algumas imagens, a maioria irá desvalorizar "a outra" rapariga.  Aqui uma comparação entre as imagens de que eu gostava antigamente X imagens de que gosto agora:


Tudo o que eu disse até agora pode não parecer tão mau quanto isso. Certo, pessoas afab são criadas assim, e depois? Verdade seja dita que há bastante gente que encara a competição feminina como algo saudável, pois isso incentiva as mulheres a aperfeiçoarem-se. E embora eu não tenha nada contra a ideia de uma pessoa a tentar melhorar-se, não posso concordar com essa frase. Razões? 
  • Uma coisa é tentarmos tornar-nos uma pessoa melhor por nossa causa, no sentido de melhorar as nossas capacidades, nos sentirmos bem connosco mesmas, e testarmos os próprios limites. Outra coisa é aperfeiçoar quem somos pelo simples propósito de superar quem nos rodeia. Isso é ainda mais detestável quando só tentamos superar pessoas de um grupo, no caso, outras mulheres. Além disso, a sério que ficar uma pessoa melhor contempla deixar as outras pessoas para trás? Não nos podemos aperfeiçoar e ao mesmo tempo ajudar outras pessoas a se tornarem também alguém melhor?
  • O quê que é ser uma pessoa melhor? Honestamente, algo em frases desse género incomodam-me, porque passa a ideia de que há pessoas melhores e piores, de novo, comparando indivíduos uns com os outros em vez de comparem o progresso de uma pessoa só. Essa frase tem outro problema, porque normalmente, quando é usada tem de facto implícito um ideal de pessoa melhor. No caso de mulheres, uma mulher é mais perfeita se for bonita, se der ao respeito, não for também demasiado "puritana", souber "aceitar elogios", for inteligente, souber tratar da casa e dos filhos, não for demasiado bossy, entre uma série de outras coisas que às vezes são até contraditórias entre si, mas que de alguma forma têm de poder ser todas atingidas pela mesma pessoa. 
  • Olhar para a competitividade como uma coisa inteiramente boa ignora o quão tóxico e cultural isso é. A rivalidade não só consegue trazer problemas para a próprias pessoa, como dá origem a uma série de comportamentos abusivos que afetam os outros. Aqui estão essas consequências, sendo algumas mais extremas e outras mais comuns: 

{Comportamentos abusivos:

Deitar outras mulheres abaixo dizendo que não são capazes/tão boas quanto são, duvidar da capacidade de outras mulheres, ter ciúmes das suas habilidades, ter ciúmes por causa de rapazes, procurar falhas nas outras, competição desleal, praticar bullying contra elas, elogiar falsamente (ou para não parecer ciumenta, ou para manipular), achar que pesssoas afab nunca estão elas próprias a fazer elogios sinceros, culpar as outras mulheres pela própria discriminação (ex: "Se não vestisse roupas tão curtas não seria assediada")...

{Degradação da própria pessoa:

Isolamento, dificuldade de integração, dificuldade em conseguir estabelecer relações de confiança verdadeira com outras pessoas afab, desconfiança geral, não conseguir descansar por ainda ter rivais, obcecar com a ideia do aperfeiçoamento e nunca ficar satisfeita consigo própria, desenvolver medo de desiludir os outros por não ser tão boa quanto parece (vale ver [Impostor Syndrome]), ser uma vítima fácil e manipulável de bullying, ingressar em comportamentos autodestrutivos sem reconhecer isso (ex: dietas extremas, gastos compulsivos após "derrotas"), culpar-se quando as coisas não correm como planeado (ex: achar que um relacionamento não deu certo porque não estava ao nível da outra pessoa e há pessoas melhor para escolher), não conseguir ficar feliz pelas conquistas e sucessos de outras mulheres, ser incapaz de trabalhar em equipa com outras mulheres...


O pior é que não há a intenção de prejudicar ninguém, na maior parte das vezes. É realmente uma atitude interiorizada e que, para ser quebrada, tem de passar por um processo de desconstrução dos mais complicados, já que é dos poucos que implica não só deixar de ser ignorante e tomar consciência do problema, como também separar a razão da emoção. E quando uma pessoa cresce dando muito peso às emoções, mesmo as negativas, pode ser desmotivador abrir mão disso. É ainda mais complicado quando se considera que tanta gente afab usa essa competição como propósito para se aperfeiçoar, e pode não saber que, abdicando da rivalidade, continua a ter motivos mais que válidos para o fazer - por si mesma. 

Até já há livros super populares que tentam ensinar pessoas afab a deixarem a rivalidade de lado - porque não, não é algo intrínseco a mulheres e portanto pode ser combatido - como [este] que se prende ao conceito de sororidade, que é a união e companheirismo entre mulheres. Por fim, aqui está uma guideline de coisas que pessoas afab podem fazer - para além de se informarem e consciencializarem sobre este problema - para deixar a questão da rivalidade de lado. Os tópicos foram todos retirados deste site [www]:
  • Não enxergue as mulheres à sua volta como rivais só por serem mulheres
  • Não use critérios diferentes para julgar homens e mulheres
  • Quando uma menina sofrer algum tipo de assédio ou violência sexual, nunca ache que a culpa foi dela
  • Não estimule os sentimentos de inveja ou rivalidade entre as mulheres à sua volta
  • Se sua amiga for traída pelo namorado, não coloque a culpa na outra menina envolvida
  • Quando uma desconhecida precisar de ajuda, coloque-se à disposição
  • Não incite qualquer tipo de competição entre as suas amigas
  • Tente não criticar abertamente as mulheres à sua volta.
  • Não responsabilize suas amigas pelos filhos ou pela limpeza da casa
  • Na próxima vez que estiver em uma situação de risco na rua, observe: do seu lado pode haver outra mulher passando pela mesma insegurança. 

Acima de tudo, a questão da competição não irá ser ultrapassada enquanto as pessoas não passarem a humanizar as mulheres. Muita gente, ao queixar-se da própria questão da rivalidade feminina, cai no erro de estar a ostracizar o comportamento competitivo das outras mulheres, de outras "más" feministas, ou de pessoas afab num geral, sem se aperceber de que está a cometer a mesma coisa de que as acusa - o que podia ser facilmente evitado se, em vez de se acusar o comportamento individual de pessoas afab, se admitisse que "sim, isto acontece, eu detesto pessoas com esse comportamento, mas eu percebo que elas tenham as suas próprias lutas, estão a dar o seu melhor na vida e a fazer aquilo que a sociedade as ensinou a fazer". A culpa não é das pessoas. Sim, é importante responsabilizá-las pelos seus atos, mas também é importante tentar entender que certas atitudes não surgem do nada.

Novidades sobre mim?
Tenho muita coisa que quero fazer nas férias, e algumas já estou a por em prática. Por exemplo, já aprendi a fazer layouts responsivos e o próximo template do blog será daqueles que se ajusta ao tamanho do ecrã, estou ansiosa por começar a fazer um ^^ Também ando a acompanhar dois animes da temporada atual, Made in Abyss e Kakegurui (e talvez dê uma olhada num anime da danças de salão), e a partir de 4 de Agosto vou atirar-me de cabeça à terceira temporada de voltron. Ontem estive a ler Kuroshitsuji, e CARAGO AQUELA AUTORA SABE COMO ARRASAR OS FÃS MESMO COM EVENTOS JÁ PREVISTOS POR TEORIAS!!! Tenho uma série de posts planeados ou mesmo semi-adiantados, e quero começar a traduzir o meu tumblr lgbt+ para inglês, mas mais importante que isso é organizar alguns links e imagens que tenho no pc, caso contrário acho que nunca mais conseguirei adiantar isso. E se tudo correr bem, ainda conseguirei criar uma página no face para ajudar a publicitar o meu amado tumblr lgbt+ ^^

Creio que é tudo. Até ao próximo post ^^

7 comentários:

  1. Konnichiwa! Tudo bem?
    Isso é verdade o que acabaste de dizer, na minha turma algumas raparigas andam tipo a dizer bocas uma às outras, outras ignoram outras raparigas, ainda há aquelas que dizem peace and love mas não dá,, é aquela coisa enervante. Sim na Disey os filmes mais antigos são assim, mas agora a Rapunzel, Frozen e Vaiana é outra história, apesar de gostar dos filmes mais antigos, em que as protagonistas venciam as que queriam -nas mal. Mas agora essa situação dos filmes assim estão a melhorar, estão diferentes.
    Podes ensinar esses layouts responsivos, porque quando faço um layout, tenho um ataque cardiaco por causa do layout num computador está mal, no telémovel está como não queria e etc.
    Bjs!
    O meu blog pessoal: https://ice-cream-da-leno.blogspot.pt/
    O meu blog coletivo: https://femininas-sempre-official.blogspot.pt/

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    1. Eu gostava dos antigos filmes da Disney também, mas em termos de plot, vários deles eram semelhantes entre si e reforçavam os mesmos valores -que não são necessariamente maus, mas são um problema se forem a única coisa que criancinhas absorvem >.<

      E como disseste, mandar bocas é algo bastante comum, mas ignorar as outras raparigas é igualmente mal - ainda bem que me lembraste disso.

      Estou a tratar de aprimorar os lays responsivos, ainda me falta aprender algumas coisas. Quando souber tudo vou postar um tutorial no chuva de html e até vou disponibilizar uma base que estou a fazer :)

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  2. YOOOOO ANY-CHAN! Poxa, já estava indo até aí em Portugal perguntar ONDE DIABOS TU ESTAVA QUE NÃO TAVA ROLANDO POST U-U Enfim, sobre o post de hoje, parece que eu vi toda a minha oitava série escrita nele, pois tu não tem noção de rolo e treta que deu entre as minhas colegas nessa série (e tudo por causa de invejinha e macho, mas depois eu dou detalhes dessas tretas :v). Ah, mas esse post também me lembrou de um "movimento" que rolou na minha facul, pois recentemente espalharam um monte de cartazes sobre união feminina e sobre deixar rivalidade e invejinha de lado. Até fizeram algo bacana nos banheiros: Colocaram uma caixinha de absorventes, aí quem precisa pegar é só pegar e quem tem algum para deixar é só colocar lá dentro. Achei bem bacana a ideia, e pelo visto tem funcionado de boas.

    O problema é que sempre teve aquele clima "Tenho que ser bonita e legal para ninguém roubar meu macho, minhas amigas ou alguma coisa minha", tipo é bem como você falou, filmes, desenhos, novelas, tudo isso tem por base esse raciocínio, até as três espiãs demais (que era um desenho bom pakas, com garotas sendo espiãs e lacrando), tinha aquela coleguinha chata pakas que competia por beleza e macho, e ficavam nisso de ver quem era melhor que quem. E a maioria dos filmes para o público juvenil é assim, a garota diferentosa, as patricinhas, e a competição para ver quem é melhor que quem e no final apenas uma sai vencedora e a outra derrotada. Quando na verdade, poderia rolar pazes e tudo ficar de boas.

    Aliás, tem dois pontos desse post que eu vejo muito presentes na numa parente (e que algumas vezes eu já vi ela tentando empurrar isso para cima de mim). O primeiro deles é sobre "vencer na vida", para ela uma vida de boas é ao lado de um macho (mesmo que esse macho seja um desgraçado qualquer) e isso leva a história de que "as outras mulheres são inimigas porque podem roubar o meu macho", não que ela trate as outras mulheres assim, mas um tempinho atrás ela foi chifrada pelo marido, e ao invés de reconhecer a culpa dele, ela jogou toda a culpa na mulher que "roubou o homem dela", okss essa outra mulher agiu sem caráter, pois ela sabia que o macho era casado e ainda se fingiu de amiguinha dessa minha parente, MAAAASS isso não tira a culpa do boy dela que resolveu ser infiel. E ela insiste em dizer que "ele mudou por causa daquela vagabunda", e eu fico tipo "Mas, foi ele que quis te trair, não foi obrigado a nada"

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    1. E isso entra naquelas tretas da oitava série que te falei lá em cima, ôooo ano que tirou pra ter competição entre as garotas e brigas. Havia sempre aquelas colegas que sentiam inveja de outra colega só porque ela era mais bonitinha e os rapazes ficavam dando atenção para ela, ou aquela besteira de super amigas brigarem por causa de um mesmo rapaz, aí ficavam de mal uma com a outra achando que a amiga estava sendo injusta ou traindo a amizade, quando na verdade o garoto é que tava se aproveitando das duas '-' (lógico que nem sempre é culpa do rapaz, existe muita mulher duas faces por aí, mas como o post é sobre rivalidade feminina, tô me concentrando nesses casos). Só que o pior de tudo não eram as brigas entre as garotas, mas sim a professore que ao invés de parar as brigas FICAVA PARADA ASSISTINDO E RINDO DA SITUAÇÃO! Okss, hoje em dia eu me lembro disso e dou muita gargalhada, porque mesmo que boa parte disso seja um resultado social, um pouco também é coisa da idade, que ocorre tanto com guria quanto com guri, essas tretinhas amorosas até certo ponto são normais e dignas de boas risadas no futuro. MAS, o que realmente me incomodou foi ver a professora só rindo, sem fazer nada e sem falar nada, pois nesse momentos seria super importante a professora chegar explicar que não é necessário essa rivalidade e que os dois lados da briga estavam errados. Pois, depois as criaturas crescem e acham que podem continuar se comportando assim e arrumando briga com qualquer "mulher rival" (o negócio é tão sério, que já houve garotas brigando de se dar tapas e puxão de cabelo na frente de um dos prédios da minha facul, GAROTAS ADULTAS NA FACULDADE FAZENDO ISSO!).

      Eu vejo que esse é um dos maiores problemas, ver essas confusões acontecerem na pré-adolescência e achar que é tudo uma fase, que é coisa de criança, e não sentar para conversar e corrigir. Depois lá na frente, vai dar problema mais cedo ou mais tarde. Outra coisa que eu também vejo como muito perigosa é esse sentimento de "ser diferente" que tu mencionou, pois isso abre até espaço para ou a pessoa se sentir muito superior e querer rebaixar as mulheres a sua volta, achando que qualquer atitude delas pode ser devido a inveja, ou o contrário, fazer a pessoa se sentir inferior e se colocar na posição de vítima, meio que encarando a vida como um shoujo dramático, onde sempre aparece alguém para roubar o "príncipe encantado" e por aí vai...

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    2. Sobre "o que garotas fazem é fútil" acho que com a história de empoderamento feminino, algumas pessoas tomaram uma ideia beeeemmmm errada disso, e acham que qualquer coisa que seja "feminina", é algo de garotinha frágil fútil. Já vi gente falando sobre como uma conhecida minha "exagera na maquiagem" que isso não fica bem nela, fica algo muito forçado e blá, blá, blá, quando na verdade ela sempre curtiu maquiagens, sempre adorou pintar unhas, sempre curtiu ver coisas mais relacionadas a moda e talls, e eu sempre admirei como ela curte essas coisas e tem paciência para pesquisar e se arrumar toda. É algo que é dela e faz bem para ela, e aí vem gente querer meter treta no meio. Na verdade, nada nunca está bom, porque se a garota é um pouco "moleca" e curte jogar bola com garotos e talls, mais um monte de gente vem chamar ela de várias coisas, ou então brota aquela invejinha de outras meninas, porque a fulainha é próxima dos garotos e elas não, então a fulaninha vai roubar os garotos ou só está fingindo que curte tal coisa para chamar atenção e por aí vai.... Ou como eu já vi garotas reclamando que são chamadas de falsas quando dizem que curtem vídeo-game, e só usam isso para parecerem legais e talls '-'


      Enfim, no final das contas a pessoa acaba ficando presa, ela não pode ser ela mesma ou não pode tentar mudar, que ao redor aparece alguém para criar confusão. E isso acaba sendo um grande problema, porque algumas vezes tudo o que essa pessoa tem são amigas, ou ela recorre alguma outra figura feminina para tentar se abrir, e acaba ganhando mais problemas devido a essa rivalidade que surge =/

      Agora sobre as novidades:

      QUERO TUTORIAL DESSA PARADA DE LAY QUE SE AJUSTA AO TAMANHO DAS TELAS, PORQUE O MEU MAIOR PROBLEMA É COM ESSA DESGRAÇA, no meu notebook o meu lai tá lindão, aí vou pro pc do meu irmão e fica tudo zuniado naquela tela dele ç-ç


      AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA CÊ VIU AS REVELAÇÕES DE KUROSHITSUJI! Meu deus, eu não tô crendo que a Yana tomou vergonha na cara para revelar alguma coisa! Mas, a minha curiosidade mesmo é: 1) O que aconteceu com a Lizzy!? EU QUERO SABER DA LIZZY, QUERO SABER SE ELA JÁ SABE DE TUDO E ONDE DIABOS ELA ESTÁ E QUAL LADO ELA VAI ESCOLHER 2) Porque os pais do Ciel esconderiam isso!? Porque pelo visto ninguém sabia (okss, que o único que era daquela época era o Tanaka, mas pelo visto a sociedade que conhecia a família não sabia disso) 3) Porque o Ciel esconderia isso!? 4) Será que esse irmão vai realmente ferrar com a vida do Ciel!? Tipo, eles poderiam ficar de boas e páh, vida segue em frente. 4) TU VIU A CARA DE "QUE PORRA TÁ ACONTECENDO" DO SEBASTIAN!? SHUAHSUASHUASHUASHUAU MELHOR REAÇÃO! (e eu aposto que tem dedo do Undertaker nisso aí também!)

      Sobre o anime de dança de salão, ELE PARECE SER MUITO BOM! Tem uma scan br que tá traduzindo o mangá, e eu vejo o pessoal falar muito bem da história. Por algum motivo pelos gifs que eu vi e pelo pouquíssimo que sei da história, me lembrou um pouco de Nodame Cantabile, ou seja, uma galera talentosa dando o seu melhor em apresentações para conquistar seus objetivos (só que nodame é sobre música).

      Okks, agora eu vou de vez!

      Kiss

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    3. Haha não se preocupe que não se vai livrar de mim tão cedo, ainda tenho muitos posts por escrever ^^ Só ando um bocado ocupada porque com a faculdade acumulei imensa coisa e é complicado por tudo em dia – principalmente com a minha iniciativa de fazer layouts responsivos, o que está a demorar bastante mais trabalho do que eu esperaria. Até tentei pegar em certas bases para o fazer, mas as mais bonitinhas tinham partes do código que não pareciam fazer nada e o meu cérebro bugou :/ Mas hoje vou dedicar 3 horas a responder a comentários, e com um bocado de sorte a partir de hoje não só teremos posts como comentários em dia *tã-dã!* e ainda tenho de ir comentar ao seu blog, já tenho saudades de fazer isso.

      Que bom que suscitei memórias tão nostálgicas ;) Mas esse movimento na sua faculdade foi lindo, acho que em Portugal nunca seria feito nada desse género (pelo menos, não em faculdades). E essa iniciativa dos banheiros é maravilhosa, está a pegar moda em alguns lugares e espero que chegue aqui em breve, pois pode realmente fazer toda a diferença. Em alguns locais, trans-inclusivos, isso está a ser feito até em casas de banho masculinas tendo em conta homens trans, o que eu acho melhor ainda. Sobre a inveja, pena que às vezes até os próprios pais incentivam esse comportamento competitivo, então juntando isso aos desenhos – e eu lembro desse! :D – é quase impossível uma pessoa não absorver a ideia de que é diferente e tem de fazer os possíveis para vencer na vida. Aliás, eu creio que recordo vagamente essa história da parente cifrada pelo marido – mas é como você diz, mesmo que nesse caso a mulher tenha um pouco de culpa, não obrigou o homem a nada.

      E exatamente, há sempre muitas nuances e claro que nem sempre os rapazes têm, alguns nem estão interessados em rapariga nenhuma e têm de aturar brigas por causa dele, mas o foco do post é exatamente a rivalidade feminina. Agora você mencionou um ponto que a comentadora anterior também mencionou, que são as pessoas que ignoram – ela falou de raparigas que ignoram outras, mas realmente com professores isso é pior ainda, pois supostamente adultos deveriam ajudar a resolver a situação e ter maturidade para se aperceberem do problema, não rir-se dele. Não tem realmente problema rir, eu às vezes faço-o também, é aquela coisa de “olha mais uma briga fútil” e sim, frequentemente é coisa da idade, adolescência gera muitas confusões amorosas >.< Mas a coisa fica mais preocupante ainda quando a idade passa e as pessoas não conseguem ultrapassar essa atitude – isso só prova que a socialização se engrenhou mesmo nas pessoas, e com um bocado de azar, pessoas afab vão acabar sem amigas por conta do preconceito interiorizado. Isso faz-me lembrar este post que eu vi recentemente: http://war-lesbian.tumblr.com/post/163479497203/the-socialisation-that-terfs-like-to-talk-about “achar que é tudo uma fase, que é coisa de criança, e não sentar para conversar e corrigir. Depois lá na frente, vai dar problema mais cedo ou mais tarde.” <==THIS SUPREMO (tinha saudades de fazer isto xd). Também concordo 100% com o facto de outra consequência ser pessoas que encaram a vida como um shoujo dramático.

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    4. Sim! Esse exemplo da maquiagem é algo bem conhecido da minha parte, há gente que parece que só está bem a falar mal das pessoas, mesmo quando elas estão a fazer algo com que se sentem confortáveis e que se calhar não é qualquer pessoa que se dedicaria a fazer. O problema é exatamente esse, nunca nada está bem, ou é muito arrapazada ou é menina demais – e o verdadeiro feminismo pretende precisamente dar às pessoas o poder de escolherem e serem quem quiserem, mas como você notou maravilhosamente, muitas pessoas captaram mal o objetivo: há quem ache que o feminismo, ao desconstruir o estereótipo de “rapariga tipicamente feminina”, está a dizer que quem cai no estereótipo está errado. Logo, por essa lógica, atributos femininos são algo a desdenhar. Que conclusão mais irónica para alguém tirar >.<

      Enfim, só li sabedoria vinda da sua boca ;)

      ASSIM QUE CONSEGUIR APRENDER TUDO TRAGO COMBO DE TUTORIAL + TEMPLATE-BASE!
      E sobre Kuro, eu já tinha lido todas as suas indagações no post de amvs, MAS, aqui o que eu acho: 1) Nem sonho o que aconteceu à Lizzy, mas deduzo que pelo menos ela saiba a verdade sobre o outro Ciel. 2) Eu não entendi que os pais do Ciel “esconderam” nada. Para mim, o que aconteceu foi que a família do Ciel, mais o Ciel, mais o gémeo viviam felizes – e portanto o Ciel sabia perfeitamente do irmão, tnto é que ele até queimou a foto em que o gémeo estava para não se denunciar » o acidente aconteceu, os pais morreram e o gémeo (o verdadeiro ciel e herdeiro) foi dado como morto » o Ciel que conhecemos decidiu fazer o pacto com o Seba e assumir o lugar dele, fazendo de conta que era o irmão morto. Só agora é que descobriu que sobreviveu, mas não é como se os pasi tivessem escondido alguma coisa, pois os pais morreram durante as tretas. 3) Para mim, o Ciel não sabia das tretas. 2+3+4) A surpresa das pessoas não se devia ao facto de as pessoas não saberem que dantes haviam gémeos mas ao facto de acreditarem, como o próprio Ciel, que só um dos irmãos sobrevivera. 4) Mas como você disse no seu post, provavelmente a cara do Seba-chan foi porque ele não sabe como aturar dois putos mimados xd

      Já comecei a ver o anime ballroom e youkoso e está a ser muito bom, fora que a arte de haikyuu é maravilhosa.

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